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Zibaldone

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02
Mai17

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Francisco Freima

Vigaristas dos Santos.jpgComo no primeiro relatório do SAPO Blogs vinha a indicação de que a melhor altura para publicar posts no Zibaldone seria terça-feira às 18:00, decidi começar a experiência.

 

A notícia do dia de hoje são os salários dos gestores das co(u)tadas em bolsa. Existem casos chocantes, de pessoas que ganham cem vezes mais do que os seus colegas de trabalho, o que para mim devia constituir crime. Os nomes estão aí, todos sabemos quem são os corruptos, porque é de corrupção que se trata, mesmo que a lei o permita. Indivíduos como Pedro Soares dos Santos e António Mexia estão a degradar a qualidade da democracia em Portugal, estão a corroer o tecido social e estão a subverter a unidade nacional. Nenhum povo pode aceitar que por uns quantos se sacrifiquem milhões. Estamos no século XXI, não estamos no Antigo Egipto para ser escravos de faraós e dos seus esquemas em pirâmide.

 

A absoluta falta de vergonha leva mesmo António Mexia a declarar que só tem de prestar contas do seu salário aos accionistas, pois são eles que o decidem. É a lógica neoliberal no seu melhor, mas o que ele aufere tem repercussões no resto da sociedade. Ninguém pode sentir um sopro de justiça quando um canalha destes abre a boca para justificar o injustificável.

 

É necessária uma regulação dos salários no sector privado, uma lei que estabeleça que entre a base e o topo a diferença não pode ir além de cinco vezes mais para os quadros superiores. Querem ganhar 1 milhão de euros ao ano? Pois bem, a empregada de limpeza tem direito a 200 000 €. Querem pagar 600 € a quem se esfalfa nos call centers, nas caixas de supermercado ou nos armazéns? Tudo bem, mas no final desse mês levarão 3 000 € para casa. Isto é justiça, isto é premiar o mérito das chefias sem negar aos trabalhadores a possibilidade de um dia discutirem a liderança, mais não seja através das futuras gerações. O filho de um trabalhador pobre não pode ser penalizado pelo seu pai não ter estudado ou não ter conseguido alcançar um cargo que lhe permitisse ganhar mais; o filho de um CEO não pode ter uma via verde para o mundo empresarial só por ser filho de quem é, e por ter tido a hipótese de estudar nas melhores universidades à conta do papá. Se os pobres conseguem sobreviver com 600 € ou menos por mês, certamente que os ricos conseguirão viver com 3 000 € sem que lhes caiam os parentes na lama.

 

Está na hora de olharmos para este problema: o fim das rendas pagas aos gestores (porque é de rendas que se trata) tornou-se um imperativo mundial.

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