Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Zibaldone

Zibaldone

31
Mai16

A crise no Sudão do Sul

Francisco Freima

Foto UNICEF UN018992 George.jpgEnquanto os colégios privados com contratos de associação mantêm a sua «Maria da Fonte», no Sudão do Sul as crianças tentam sobreviver à crise humanitária. Apesar de existir um cessar-fogo desde Agosto do ano passado, as escaramuças persistem, afectando sobretudo mulheres e crianças. Em Março, o Público noticiava que o governo tinha autorizado o exército a violar mulheres como forma de pagamento pelos seus serviços. Agora, com a entrada do exército ugandês no Sudão do Sul, a oposição acusa o governo de violar os acordos de paz. Aquando do conflito, o Uganda apoiou o presidente Salva Kiir, nomeadamente na contra-ofensiva para a tomada de Bor. 

 

O mais jovem país do mundo (tornou-se independente em 2011) precisa de fazer face aos graves problemas do seu sistema educativo, como sublinhou Leila Zerrougui, a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados:

 

As escolas na República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Líbia, Mali, Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Sudão foram saqueadas, pilhadas, danificadas e destruídas durante operações militares [...], colocando o futuro de uma geração inteira em risco.

 

À destruição de escolas temos de somar os problemas relacionados com o número de refugiados, a malária e a desnutrição. A falta de comida é responsável pelo êxodo de milhares de sul-sudaneses para os vizinhos Sudão, Quénia, Etiópia e Uganda. Mas mesmo estes países enfrentam crises: o distrito de Apac, no Uganda, está a passar por um grave período de carência alimentar, como atestam as palavras do pequeno Samuel Okello: «Nós agora comemos uma refeição por dia, mas às vezes vamos para a cama com fome». No imediato, o maior desafio para o Sudão do Sul está mesmo nos 5.8 milhões de pessoas em risco de sofrerem com a falta de alimentos.

 

Os próximos três meses serão decisivos, pois costumam representar um período de maior escassez na vida destas populações.

30
Mai16

O santo(s) da direita

Francisco Freima

JRS contemplando JJ.jpgNo último fim-de-semana, José Rodrigues dos Santos (JRS) brindou-nos com um texto humorístico no Público. Nele, o jornalista tentava encavalitar o fascismo às costas do marxismo, numa pantomina digna dos irmãos Marx. Logo a abrir, JRS conta a piada do ano:

 

Se acham que o fascismo não tem origens marxistas, façam o favor de desmentir as provas que apresento nos meus romances.

 

São pérolas deste quilate que me fazem crer que JRS é um castiço, como se viu na «polémica Quintanilha», quando se desculpou com a sua ignorância. Falar de provas apresentadas em romances não lembra a ninguém, mas, por outro lado, revela o jornalismo que este homem faz – em matéria de rigor, Reinaldo Ferreira, o «Repórter X», parece mais credível... No futuro, as teses sobre o fascismo italiano apresentarão duas singelas entradas:

 

SANTOS, José Rodrigues dos (2015) As Flores de Lótus. Lisboa: Gradiva

SANTOS, José Rodrigues dos (2016) O Pavilhão Púrpura. Lisboa: Gradiva

 

Supõe-se igualmente que o patético Tomás Noronha não é uma personagem, mas uma pessoa. Aliás, quando existem dúvidas sobre algum documento, Noronha salta logo para os noticiários, aparecendo a dar a sua opinião. Isto se não estiver a sofrer placagens ao serviço da selecção nacional de râguebi...

Tomás Noronha AFP.jpgPassando ao cerne da questão: o fascismo tem mesmo origem no comunismo? A resposta de Paulo Pena mata qualquer laivo de polémica, concretamente neste excerto:

 

De facto, Benito Mussolini foi militante do Partido Socialista Italiano e editor do jornal marxista Avanti!, antes de ser expulso e fundar, em 1919, o que viria a ser o embrião do Partido Fascista. Mussolini não é caso único dessa transição abrupta entre ideologias adversárias, naquela época. Um dos seus ideólogos, o francês Georges Sorel, parecia admirar igualmente o nacionalista Maurras e o comunista Lenine. O mesmo se pode dizer da arte, e das várias manifestações vanguardistas associadas a estas correntes políticas, que muitas vezes se aproximaram, sobretudo antes da I Guerra Mundial. Mas argumentar que essa relação demonstra uma “origem” ideológica comum seria tão absurdo como considerar que por Mário Soares e Durão Barroso terem sido marxistas na sua juventude, o PS e o PSD partilham a mesma origem ideológica que o PCP.

 

Em última instância, até podemos dizer que o marxismo advém do capitalismo. E, pasme-se, que o capitalismo tem origem na... humanidade! Procurar nos percursos individuais de alguns protagonistas o fundamento para as suas ideias, tem um nome: pseudociência. Se estudarmos pela cartilha JRS, então o PS de Soares tem origem marxista e o PSD de Barroso descendia do maoísmo! E que dizer do CDS, que teve como líder um ex-ministro de Salazar? Então, é fácil... Adriano Moreira foi ministro de Salazar, logo, as origens do CDS estão no fascismo, que por sua vez teve origem no marxismo!

 

Outro panfletário de direita, de seu nome André Azevedo Alves (AAA), apareceu no Observador a defender JRS:

 

Não li o mais recente livro de José Rodrigues dos Santos mas, independentemente da sustentação que essa afirmação possa ter (ou não) no livro, a verdade é que está longe de ser um disparate, podendo a ligação entre marxismo e fascismo ser razoavelmente defendida por vários prismas. Dentro das limitações inerentes a um artigo como este, gostaria de realçar duas: as muitas semelhanças práticas entre regimes de inspiração marxista e fascista e as similitudes no plano ideológico.

 

As semelhanças práticas, segundo AAA, são «o colectivismo, a oposição ao liberalismo e a rejeição do pluralismo e a apologia da violência revolucionária». Dando de barato que é mesmo assim, ficámos a saber que vivemos subjugados pelo Império Romano, pois esta União Europeia, em termos de semelhanças práticas, não difere muito daquele regime despótico, com os seus escravos (precários), gladiadores (futebolistas), centralização em Roma (centralização em Bruxelas) e políticos corruptos (políticos corruptos, não mudou muito). E pronto, está feita uma «análise» às similitudes entre Roma e Bruxelas. Também posso fazer uma entre o Vaticano e o Daesh: ambos são teocracias, ambos derivam de cisões nos movimentos religiosos (católicos, no caso do Vaticano; sunitas, no Daesh), ambos têm moedas estrangeiras (Euro, no Vaticano; Dólar, no Daesh) e em ambos as mulheres têm um papel subalterno... pronto, a parvoíce está completa. Se eu quisesse ser mesmo desmancha-prazeres, diria que Gabriele D'Annunzio, o grande inspirador do fascismo italiano, militou na Sinistra Storica, um partido liberal e defensor da monarquia constitucional. Em termos ideológicos, pertenceria à família política de PS/PSD...

 

Depois, seguiu-se a lamentação:

 

Num contexto de hegemonia quase absoluta da esquerda e extrema-esquerda nas redações da comunicação social portuguesa, Rodrigues dos Santos – goste-se ou não do estilo – é uma presença incómoda. Mais ainda por não ser facilmente intimidável e por ter uma posição que lhe garante alguma autonomia.

 

«Hegemonia quase absoluta da esquerda e extrema-esquerda nas redacções da comunicação social portuguesa»?? É para rir, não? Gostava que o mestre André avançasse alguns exemplos desses focos esquerdistas na imprensa escrita. Além dos jornais partidários, como o Avante, o Esquerda.net e o Luta Popular, não estou a ver nenhum generalista conotado com a esquerda. Apenas o Público. Já a direita, é só escolher: Observador, Sol, Jornal i, DN, JN, Correio da Manhã, Expresso, Económico... e ainda dominam as redacções da RTP, da SIC e da TVI!!

 

O golpe publicitário de JRS para vender uns livros saiu bem, a polémica artificial foi lançada e as vendas vão disparar. Se fosse coerente, o paladino da direita, admirador da CMTV, que foge da RTP como o diabo da cruz, deixava as regalias da função pública. Saberá ele, que se preocupa tanto com a dívida pública, que a empresa onde trabalha é dos maiores sorvedouros de dinheiro dos contribuintes? Grande moral...

29
Mai16

GP Mónaco

Francisco Freima

 

Alonso GP Mónaco 2016.jpg-largeDepois do desastre que a Catalunha representou para a Mercedes, Lewis Hamilton fez a corrida perfeita, aproveitando os erros da Red Bull e arriscando no jogo de pneus. A aposta nos ultramacios rendeu-lhe o primeiro lugar, enquanto que o seu colega, Nico Rosberg, passou a corrida no meio do pelotão. Na última volta, o piloto alemão haveria de perder o sexto lugar para o seu compatriota, Nico Hulkenberg.

 

Este grande prémio ficou marcado pela instabilidade meteorológica, causadora de inúmeros acidentes e incidentes entre pilotos, alguns da própria equipa (Nasr/Ericsson). No Mónaco, Daniil Kvyat confirmou ser o novo Maldonado, depois de provocar uma colisão com Magnussen. Os pneus ultramacios da Pirelli surpreenderam por resistirem a mais de quarenta voltas. Destaque também para a desistência de Raikkonen, que viu-se ultrapassado na classificação do mundial de pilotos por Hamilton. O terceiro lugar de Sergio Pérez surpreendeu muita gente, que esperava a Ferrari na luta pelo pódio em detrimento da Force India.

 

Quanto à McLaren, foi a sua melhor corrida até ao momento. O quinto lugar de Alonso, à frente de Hulkenberg e Rosberg, prova que o Mónaco continua a ser um circuito onde a habilidade faz a diferença. Com outro monolugar, o espanhol teria lutado pela vitória. Já Jenson Button fez uma prova discreta, terminando na nona posição. A construtora inglesa ascendeu ao sétimo lugar da classificação, ultrapassando a Haas e encurtando para seis pontos a distância em relação à Toro Rosso. A celebração dos 50 anos da escuderia não podia ter corrido melhor.

Pág. 1/13

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor