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Zibaldone

Zibaldone

31
Jul16

Diário expedicionário

Francisco Freima

31 de Julho (1884) - Continuámos a marcha a E. 4 N. E., subindo algumas colinas. Às 11:30 descemos uma alta colina, passando em baixo o rio Luatuta, numa vasta planície; linda vista apresentava. Esta encosta estava em parte arimada. Tivemos de dar uma grande volta para passar o rio, o que fizemos às 12:30; é rio de pequena largura; só neste ponto é que se pode passar a vau. Fomos acampar próximo da libata do soba Caíba Camolando, era 1 h.

 

Estamos muito necessitados de mantimentos; há treze dias que não se compra nada.

30
Jul16

Volta ao Norte

Francisco Freima

Volta a Portugal Mapa.pngPara uma região habitualmente às voltas com os seus complexos de inferioridade, não deixa de ser curioso observar o silêncio nortenho em relação à Volta a Portugal. Pois é, a conversa do centralismo só calha quando convém. Quando beneficia o Norte, o silêncio acaba por ser bom conselheiro. 

 

Numa «Volta a Portugal» com dez etapas, apenas uma desce a linha do Tejo. Se as pessoas do Sul fossem tão choramingas como as do Norte, de certeza que esta situação já teria sido alterada. Sendo orgulhosas, suportam a afronta e continuam a trabalhar para que a prova regresse um dia. Os defensores do actual modelo escudam-se na impossibilidade de existirem mais etapas, devido aos critérios apertados da UCI na classificação das competições – se tivéssemos mais etapas, desceríamos no ranking. Isso é verdade, mas não invalida o facto de que podíamos distribuir melhor essas dez etapas por todo o país. Novamente, os defensores rebatem o argumento, afirmando que é no Norte que se situam as principais dificuldades. Sim, o Norte tem mais montanhas, embora esse seja um raciocínio perigoso. No limite, os proponentes teriam de aceitar que todos os recursos deveriam ser canalizados para Lisboa, por ser a nossa cidade mais importante. Todos? Não, o Porto ficava com 10% (a última etapa) e o resto do Norte com os outros dez.

 

Sejamos justos: não podemos chamar Estádio de Oeiras ao Estádio Nacional, Transportadora Aérea da Portela à Transportadora Aérea de Portugal e ficarmos em silêncio em relação à Volta a Portugal. Perante o silêncio cúmplice da maioria, esta competição velocipédica tornou-se na Volta ao Norte.

30
Jul16

Diário expedicionário

Francisco Freima

30 de Julho (1884) - Finalmente deixámos de ver o Cuatir! 

 

Continuámos a nossa derrota seguindo o Cuatir, passando duas mulolas, que sempre fazem demorar a viagem, pela dificuldade de passar o gado. Às 12:20 parámos para reunir a gente, largando à 1:20. Às 2 h. é que deixámos o Cuatir pois deita para o N. Continua a areia. Acampámos às 3:15 = Mabanda. Perdeu-se um rapaz extraviado.

29
Jul16

Atentado nos Açores

Francisco Freima

Não, não foi na Base das Lajes. Tampouco foi protagonizado pelos suspeitos do costume. Mas sim, foi na redacção de um jornal. Desta vez, no entanto, os terroristas não quiseram impedir a circulação de uma mensagem. Pelo contrário, difundiram-na pelos quatro cantos do arquipélago, entrando há pouco na redacção da SIC Notícias. E sim, a jornalista que apresentava o Primeira Página foi incapaz de prever o atentado. No momento da explosão, viu-se, em grande plano, o drama, o horror, a comédia:

Correio dos Açores.jpgQuerendo talvez comunicar com um emir das Arábias, o Correio dos Açores traz na manchete a compra iminente do Monte Palace. Perdão, Sr. Emir, a compra Eminente! Quando um dia escrevi que os jornalistas, com as suas charlatanices, são os barbeiros do século XXI, estava longe de imaginar que entretanto passariam de cavalo para burro. Já não bastava o Correio da Manhã, agora temos o Correio dos Açores. Num país onde quase ninguém lê, torna-se ainda mais grave. Pelos vistos, os jornalistas deixaram de ser os guardiões oficiosos da língua. Como acreditar numa pátria que endeusa futebolistas da treta e convive bem com tamanho disparate? Porque isto não foi na tasca do «Zé da Esquina», onde o «À moelas» arrota a ignorância dos simples. Não, isto aconteceu na redacção de um jornal, entre "jornalistas" (entre cunhas, perdão, comas). A quererem sair com alguma dignidade desta história, os responsáveis deviam assumir o erro, pedir desculpa, demitirem-se e entregarem a carteira profissional. Depois, podiam dedicar-se à pesca.

 

Enfim, as baixas até ao momento são um número indeterminado de crianças, maioritariamente de famílias pobres, que, ao lerem o eminente disparate, logo o tomarão por verdadeiro.

 

Caso para dizer: Je Suis Açores.

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