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Zibaldone

Zibaldone

31
Ago16

Diário expedicionário

Francisco Freima

31 de Agosto (1884) - Ainda seguindo o rio Ninda, fizemos hoje uma marcha das 7 h. da manhã às 5 h., quando acampámos; o rio corre com o mesmo aspecto dando algumas grandes voltas, mas o eixo médio a E. verd.º. Matas muito fechadas aos lados da planície em que corre. Andámos umas 18 a 20 milhas, a E. 5 h., and. 675,5. Queríamos chegas às libatas mas não foi possível. Linda noite.

30
Ago16

A Assunção do IMI

Francisco Freima

Assunção Cristas.jpgHabituado às tiradas populistas de Paulo Portas, não fico espantado com as atoardas de Cristas. Quiçá raivosa pelo facto de o Governo ter começado a aplicar a lei em relação aos bens da Igreja que não se encontram adstritos ao culto religioso, a líder centrista aproveitou o embalo para desembrulhar a «bomba-relógio»: os partidos deviam também pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis.

 

A Assunção do IMI pensa que descobriu a pólvora, mas vejamos se a «bomba» não lhe vai rebentar nas mãos. Primeiro porque, ao contrário do que sucede com os bens imóveis da Igreja, não existe nenhuma lei por aplicar em matéria de cobrança sobre as propriedades dos partidos. De boa-fé aceito o argumento de que a lei e a moral não são a mesma coisa, mas, pela forma como se levantou a Cristas, parece que os partidos estão em incumprimento. Mude-se a lei, não se façam é de virgens ofendidas: ou o CDS paga actualmente o IMI? Não paga e sabe que não paga, mas agora quer pagar por mero oportunismo. Fica a questão: se o Governo tivesse mantido o tratamento especial à Igreja Católica, o CDS viria exigir o pagamento do IMI por parte dos partidos políticos?

 

Segundo, em matéria de dinheiro e partidos, o CDS não tem moral nenhuma. Estamos a falar de um partido que foi condenado a pagar uma multa de 5.500 € por infringir a lei do financiamento partidário. O próprio mandatário financeiro da campanha centrista de 2011 (a última escrutinada), José Lino Fonseca Ramos, foi condenado ao pagamento de uma multa de 600 €. Acresce ainda que em 2011, dos partidos com assento parlamentar, o Bloco de Esquerda foi o único que não violou as regras do financiamento eleitoral.

 

Terceiro, e como já escrevi, o CDS não descobriu a pólvora. A Assunção do IMI deveria procurar aconselhamento em vez de andar nas cristas da onda. Com efeito, esta proposta já foi apresentada pelo BE. Sim, o tal «partido populista de extrema-esquerda» aproveitou as monótonas discussões na especialidade do Orçamento de 2015 para não fazer um número político:

 

Já o BE entende que o regime de exceção que se aplica aos partidos já não faz sentido. E recorda que no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2015 propôs o fim da isenção do IMI quer para a Igreja quer para os partidos. E foi chumbado.

 

Expresso, 29/8/2016

 

Moral da história? O «sisudo» CDS utilizou a mera aplicação de uma lei para lançar gasolina sobre o ambiente político. Pelo meio, copiou uma proposta do BE. Depois do «caso MPLA», mais um tiro no pé.

30
Ago16

Diário expedicionário

Francisco Freima

30 de Agosto (1884) - Continuámos ainda marchando ao longo do Ninda, corre em uma planície que chega a ter 2 a 3 milhas de largura, das margens para o interior da floresta fechada. Rumo médio E. Muita caça, matámos um belo antílope, a que chamam galengue, mas diferente do de Moçâmedes; tem a cabeça muito semelhante à do carneiro tendo a cauda como a do cavalo e crina por baixo do pescoço semelhando à juba do leão. É o gnu? Estivemos parados das 10:40 às 11:10. Acampámos à 1:40.

 

Dois répteis do rio (T'chitato) macho e fêmea têm a língua bastante comprida e dividida na extremidade em duas partes. Vivem nas margens dos rios e fogem para a água quando são perseguidos.

 

Apareceu no acampamento uma grande cobra com 2 metros de comprimento. É venenosa.

29
Ago16

Fórum Socialismo #2

Francisco Freima

O fim-de-semana foi divertido. Conheci novos aderentes, sobretudo malta do Norte, pois acorreram em maior número a Santa Maria da Feira. As instalações eram excelentes, a escola onde ficámos foi uma daquelas intervencionadas ao abrigo do programa Parque Escolar. Os balneários eram óptimos, tal como o ginásio onde dormimos, as salas de aula e o refeitório. A organização do Bloco esteve à altura do espaço, primando pela excelência.

 

Os debates foram interessantes, do programa que gizei aqui só falhei a sessão com a Mariana Mortágua. Ainda pensei ir ao debate sobre a eutanásia, com o João Semedo e o Júlio Machado Vaz, mas como também tinha muita gente, preferi a Sala 1, onde o tema era os Direitos dos Imigrantes. A oradora foi Revelina Tigna e deu para me inteirar de situações absurdas – sabiam que se um imigrante legal perder os documentos e for à polícia dar nota da ocorrência, receberá logo uma intimação para regularizar a sua situação no prazo de vinte dias, sob pena de vir a ser expulso do país? E que temos pessoas nos bairros sociais da periferia cuja vida se restringe literalmente ao bairro? A Revelina, que vive num desses bairros, contou como existem pessoas que não saem há anos das zonas de residência, por falta de oportunidades (boa parte são «imigrantes ilegais»). Sublinhou ainda que viver num bairro social não define uma pessoa, apesar da discriminação que os habitantes dos mesmos sofrem quando se candidatam a um emprego ou no dia-a-dia em geral.

 

Outro grande momento foi a exibição, no sábado à noite, da primeira parte do documentário Exodus, a Nossa Viagem para a Europa, que contou com a presença de Catherine Samary e da Marisa Matias. Recomendo a todos o visionamento. Antes, durante a tarde, tivemos a oportunidade de falar em directo com o Luaty Beirão e com os activistas angolanos presentes, José «Juca» Silva e Manuel Santos. Deixo-vos os vídeos desse encontro, com a promessa de me debruçar futuramente sobre alguns temas abordados no Fórum, particularmente aqueles dedicados à financeirização da economia, à questão curda, à situação política no Brasil e à cobertura da crise por parte da imprensa económica.

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