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Zibaldone

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30
Mai17

Mais Rosas no relvado

Francisco Freima

Miguel Rosa 7.jpg

Houvessem mais Rosas no relvado do Restelo e a história seria outra. Como é que a SAD do Belenenses está disposta a abrir mão do seu melhor jogador? Será tamanho o ódio de Rui Pedro Soares aos sócios do clube que justifique a saída do Miguel Rosa? Ao princípio ainda referiram Domingos Paciência, mas pelos vistos foi mesmo a SAD a entrar em campo para expulsar o seu jogador mais valioso. Porque, muito antes de ser um «activo», Miguel Rosa é um jogador de futebol com amor à camisola. 

 

Bem sei que vivemos num mundo que valoriza as juras de amor via Facebook em detrimento daqueles que agem sob a égide de tão poderoso sentimento. O Miguel sofre do mesmo mal: não é um jogador espalhafatoso, não se vitimiza quando as coisas correm mal e mostra dentro do campo o carinho que nutre pela Cruz de Cristo. Pelos vistos, é pouco: começou então a procura de um substituto à altura. Só tenho isto a dizer à SAD: boa sorte nessa empresa. Substituto à altura? Para um jogador como o Miguel?? Nem que andem, já não digo com uma candeia, mas com os holofotes do estádio à procura desse «substituto», jamais o encontrarão. Conheço poucos jogadores que forcem a saída de um dos três grandes para irem para um clube da dimensão do Belenenses. Na verdade, só conheço o Miguel Rosa.

 

Depois de empréstimos ao Estoril e ao Carregado, o Benfica enviou o Miguel para o Belenenses. Nos dois primeiros anos que esteve no Restelo alcançou o raro estatuto de ídolo entre os adeptos, cada vez mais habituados a verem o corropio de entradas e saídas no final das épocas desportivas. As temporadas correram muito bem, a ponto de o Benfica o chamar de volta. Sem espaço no plantel do Cérebro, ficou um ano na equipa B a marcar golos e a fazer assistências, mas sem nunca esquecer o amor que lhe arrebatara pela última vez o coração. O Miguel era benfiquista, mas tornou-se belenense. A Luz já não lhe dizia nada, o Restelo era a sua casa. No final desse ano com a equipa B, conseguiu regressar ao Belenenses, onde se tem mantido até hoje. Pois é a este jogador, expoente máximo da mística, que apontam agora a porta de saída. Só encontro paralelo com a situação vivida por João Pinto no Benfica, quando Vale e Azevedo decidiu, num acto de gestão danosa, despedir o melhor jogador da equipa. 

 

O Miguel Rosa é um jogador à antiga. Joga bem, não tem tiques de vedeta e sacrifica-se pelo colectivo. Sacrifica-se ao ponto de jogar diminuído fisicamente ou fora da sua posição preferida. Outro viria logo para os jornais carpir as suas mágoas, que o estavam a desvalorizar, que ele é que devia ser o dono do lugar, que o treinador isto, que o departamento médico aquilo... Quantos e quantos cepos têm passado naquele meio-campo com o Miguel encostado na ala?! Maior injustiça, só a de Tiago Silva, desterrado em Santa Maria da Feira...

 

O Miguel Rosa sente-se desiludido e magoado, eu sinto-me furioso! Porque é que os dirigentes têm de destruir sempre as coisas boas do futebol? Estou como o António Barradas: não é assim que o amor se paga.

30
Mai17

Diário expedicionário

Francisco Freima

30 de Maio (1885) - Como os caminhos não estão seguros pelo povo Munhais, fomos acompanhados pela força que vai bater o Zuda, 600 cipais. Assim caminhámos hoje com essa guarda avançada! Acampámos às 7 h. da tarde no rio Muze. No caminho foi ferido um preto e aprisionado um pequeno, que estavam escondidos no mato. Os rios estão todos secos.

29
Mai17

Desemprego à portuguesa

Francisco Freima

Em Portugal, os partidos mais depressa copiam os vícios uns dos outros do que as boas ideias. Vem isto a propósito dos números do desemprego, um evidente truque de «descontabilização» por parte deste Governo, que assimilou bem a lição pafiosa. 

 

Segundo o Governo, o desemprego está a diminuir. Segundo o que eu vejo, ele está ao nível dos anos anteriores. Claro, nesta guerra vence quem tem os números do seu lado, mas existem aspectos sobre os quais gostamos de fazer sombra para acreditar nessa boa nova: o desemprego baixou! Mas como? Eu explico: em 2015, a PàF orquestrou uma gigantesca campanha de desinformação: subitamente, o país crescia (à conta das recessões passadas), as exportações aumentavam (já cresciam desde o tempo de José Sócrates), a banca estava sólida (Banif para debaixo do tapete) e o desemprego diminuía. Neste último caso, os governantes da altura esqueceram de forma propositada os números da emigração e a quantidade de desempregados que saíram das estatísticas por frequentarem estágios do IEFP. É esta farsa que vemos novamente. Com uma agravante: a máquina que a PàF oleou em 2015 não foi desmantelada. Pelo contrário, em 2016 e 2017 acentuou-se a táctica de enviar desempregados para estágios de forma a escamotear a realidade.

 

Os números falam em cerca de 520 000 desempregados. Não me surpreenderia que fosse o dobro, ou até o dobro do dobro. Para mim, não é sério calcular esta taxa sem contemplar os estagiários, os trabalhadores com um único emprego em part-time ou aqueles que, tendo horário completo, não contem com um salário-base. Juntando estas situações, teremos certamente os tais dois milhões. Conheço poucas pessoas da minha idade que recebam ao final do mês um salário. E daquelas que conheço, a esmagadora maioria emigrou. Por outro lado, conheço inúmeras pessoas a frequentarem estágios, a prosseguirem os estudos universitários para não ficarem paradas, a trabalharem em part-time ou em horário completo como comissionistas a 100%. Também conheço quem acumule o full-time com um vencimento-base de uns 250/300 €, ficando o resto dependente de comissões, situação que considero normal (só que não) para quem está a entrar no mercado de trabalho, mas que se torna ridícula para quem, quase a entrar nos 30, necessita de outro tipo de condições financeiras. Ou então, não, mas depois não culpem essas pessoas pela baixa natalidade ou por tardarem em sair de casa dos pais. Critiquem-nas por quererem viver no país onde nasceram quando a lógica diz que deviam ir embora.

 

Qual é o louco que vai sair de casa sem arranjar um emprego que lhe permita fazer face às despesas mais básicas (renda, água, luz, gás e comida)? Quais são os irresponsáveis que, ganhando 300 €, decidem ter filhos? E quantos postos de trabalho existem verdadeiramente em Portugal? E quem costuma ficar com eles? Mais do que nunca, viver em Portugal é um luxo só ao alcance dos jovens cujos familiares conhecem A, que é amigo de B, que andou ao colo com C. Os outros são carne para canhão.

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