Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

24
Mar17

...

Francisco Freima

Desgaste, inevitável, como tudo

Que muito dura. Quando damos conta

De já o futuro ser uma afronta

E a vívida paixão um leve múrmur?

 

Quando a ilusão de nós se vê num túmulo,

Salsa esfinge morta, à ilharga da sombra,

Como a mulher de Lot, ao ver Sodoma,

Quando sabemos nós que reina o luto?

 

Ciente ao menos, pois, do desencanto...

Mas quem nos avisasse, nos guiasse

Aos artifícios postos de um quebranto?

 

Quem com palavras de ontem nos moldasse

À medida de um sonho, deste pranto,

O barro em torno vácuo e o Nós girasse?

 

Francisco Freima

 

Escrevi este soneto quando tinha 21 anos. Estando incluso no Sonetos Primeiros, foi um dos raros que conseguiu alcançar o futuro. Efectivamente, poucos são os poemas antigos que permito ao meu convívio. Faltava-me maturidade, tal como um dia faltará ao Francisco de 2017 - daí que em geral deteste a minha obra ao fim de cinco anos  

 

Na altura nem colocava títulos à maior parte das coisas que escrevia. Foi aliás um amigo que me chamou a atenção para a necessidade de lhes dar um nome qualquer. Mas como jovem não pensa, fiquei com esse hábito entranhado durante alguns anos. Os «baptizados» são hoje um suplício, mas vou resolvendo a situação de forma mais ou menos satisfatória. Sobre o soneto propriamente dito, além de ser bastante pretensioso, retrata a efemeridade das relações.

10 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor