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Zibaldone

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07
Nov16

99

Francisco Freima

Galina Zubchenko Storming of the Winter Palace.jpgNos 99 anos da Revolução de Outubro (25 de Outubro no calendário juliano, 7 de Novembro no gregoriano), o mundo concentra-se nas eleições norte-americanas. Se a disputa eleitoral entre uma representante da direita moderada e um títere da direita radical pouco me diz, os «dez dias que abalaram o mundo» continuam a inspirar-me. 

 

Conheço inúmeras pessoas que renegam totalmente a experiência socialista vivida pela URSS, mas a verdade é que ela conseguiu provar que existem alternativas ao capitalismo. Como é óbvio, existiram vários aspectos negativos: as purgas, o Gulag, a oligarquia do PCUS, a falta de democracia e a ingerência directa através da intimidação ou invasão de outros países (Jugoslávia e Checoslováquia foram as duas faces dessas tácticas). Sendo uma pessoa grata, sinto nojo pelo tratamento dado a quem lutou pela revolução: o massacre dos marinheiros de Kronstadt, os processos de Moscovo, o assassinato de líderes políticos (Léon Trotsky, Serguei Kirov) e de intelectuais (Mikhail Koltsov, Nikolay Oleynikov). Além disso, as absurdas teorias do «homem novo» ou a ciência «marxista», corporizada no inenarrável Trofim Lysenko, mostram até que ponto pode ir a cegueira dos homens. 

 

Penso que o principal contributo deste dia para a humanidade foi a crença na mudança. Mesmo que a experiência tenha falhado, houve momentos de brilhantismo. Devemos à URSS o facto de hoje não falarmos todos alemão, pois foi ela que derrotou o nacional-socialismo. Sem a URSS também não teria existido Estado social, o paliativo encontrado pelos dirigentes europeus dentro do capitalismo.

 

Claro que ficou aquém das expectativas, mas seria difícil cumprir todos os sonhos inerentes a uma utopia. Talvez para a próxima resulte melhor. O que os homens e as mulheres de Outubro nos ensinaram foi de que devemos exigir mais de nós mesmos na transformação do mundo. E que, por um breve momento, a prática cumpriu o ideal sonhado. Nessa noite, do Palácio de Inverno para o mundo, os russos superaram os antepassados e as gerações vindouras até este momento, ultrapassando a fronteira do impossível e marcando o desconhecido com os seus actos. Sendo humanos vindos do caos, marcaram-no com a treva e a luz inculcada pelo capitalismo.

 

Podia ter sido melhor, mas não foi mau de todo. Quanto a mim, só desejo que a minha geração faça a Revolução.

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