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Zibaldone

Zibaldone

07
Jun17

Fechar Almaraz

Francisco Freima

Manif Madrid 10 de Junho.jpg

Este fim-de-semana volto à estrada, a caminho de mais uma manifestação antinuclear. O ano passado estive em Almaraz e pude confraternizar com os camaradas do outro lado da fronteira, pessoas excepcionais que têm dedicado a sua vida à maior causa ambiental da Península: fechar Almaraz e todas as demais. 

 

Em Madrid, 400 portugueses irão expressar o seu descontentamento pela forma como está em funcionamento uma central nuclear que já expirou o seu tempo de vida há seis anos. Mas, para mim e para todos os ambientalistas, a questão principal nem é essa, porque com ou sem prazo estas centrais representam um perigo desnecessário quando existem outras fontes de energia à disposição dos países. Estranhamente, ainda há pessoas que defendem o nuclear, mesmo após as tragédias de Chernobyl e de Fukushima. Aberrações como a AAEN (Associação dos Ambientalistas a favor da Energia Nuclear) só servem para dividir um movimento com argumentos capciosos. A energia nuclear até podia ser a mais limpa do mundo, que um desastre a tornaria logo num perigo imediato para as populações. Segundo estas pessoas, o risco de um terramoto ou de um maremoto vale bem a pena não ser equacionado, o que interessa é acabar com o efeito estufa de qualquer maneira. Os fins justificam os meios.

 

Este encontro de activistas servirá também para homenagear a companheira Gladys del Estal, assassinada pela Guardia Civil numa manifestação antinuclear em Tudela (Navarra), no dia 3 de Junho de 1979.

03
Jun17

Eleições no Lesotho

Francisco Freima

ABC-supporters.jpg

Hoje é dia de eleições no Lesotho, o micro-estado que é um enclave rodeado pela África do Sul. Mais de 30 partidos concorrem às eleições em 80 círculos, embora os principais candidatos nesta luta sejam o Democratic Congress (do actual primeiro-ministro, Pakalitha Mosisili) e o All Basotho Convention, liderado por Thomas Thabane.

 

Consideradas pela oposição como as mais importantes eleições da história do Lesotho, dado o grau de corrupção e de pobreza a que o país chegou, espera-se que todos estejam à altura da responsabilidade que o momento exige. Paira no ar a ameaça de que as forças armadas poderão não aceitar bem a vitória de Thabane, o líder da oposição recentemente regressado ao país, após um exílio voluntário de dois anos na África do Sul. Um bizarro pedido feito pelas forças armadas ao governo, o de ocupar posições em 22 pontos estratégicos do montanhoso país, está a suscitar algumas dúvidas quanto às intenções dos militares.  Ademais, o clima de instabilidade tem tido reflexos na economia do reino, incapaz de prover a população do mais básico dos básicos: escolas, hospitais, estradas, electricidade, água, saneamento... Estas são as terceiras eleições legislativas em cinco anos.

 

Veremos o que acontece. Como neste país não existem sondagens, o apuramento de quem vai à frente define-se mais pela dinâmica da campanha do que por dados mensuráveis. A afluência aos comícios organizados pelo ABC tem sido ligeiramente superior aos do DC, daí que surja com alguma vantagem, até por ser oposição. Para segunda-feira são esperados os resultados oficiais.

29
Mai17

Desemprego à portuguesa

Francisco Freima

Em Portugal, os partidos mais depressa copiam os vícios uns dos outros do que as boas ideias. Vem isto a propósito dos números do desemprego, um evidente truque de «descontabilização» por parte deste Governo, que assimilou bem a lição pafiosa. 

 

Segundo o Governo, o desemprego está a diminuir. Segundo o que eu vejo, ele está ao nível dos anos anteriores. Claro, nesta guerra vence quem tem os números do seu lado, mas existem aspectos sobre os quais gostamos de fazer sombra para acreditar nessa boa nova: o desemprego baixou! Mas como? Eu explico: em 2015, a PàF orquestrou uma gigantesca campanha de desinformação: subitamente, o país crescia (à conta das recessões passadas), as exportações aumentavam (já cresciam desde o tempo de José Sócrates), a banca estava sólida (Banif para debaixo do tapete) e o desemprego diminuía. Neste último caso, os governantes da altura esqueceram de forma propositada os números da emigração e a quantidade de desempregados que saíram das estatísticas por frequentarem estágios do IEFP. É esta farsa que vemos novamente. Com uma agravante: a máquina que a PàF oleou em 2015 não foi desmantelada. Pelo contrário, em 2016 e 2017 acentuou-se a táctica de enviar desempregados para estágios de forma a escamotear a realidade.

 

Os números falam em cerca de 520 000 desempregados. Não me surpreenderia que fosse o dobro, ou até o dobro do dobro. Para mim, não é sério calcular esta taxa sem contemplar os estagiários, os trabalhadores com um único emprego em part-time ou aqueles que, tendo horário completo, não contem com um salário-base. Juntando estas situações, teremos certamente os tais dois milhões. Conheço poucas pessoas da minha idade que recebam ao final do mês um salário. E daquelas que conheço, a esmagadora maioria emigrou. Por outro lado, conheço inúmeras pessoas a frequentarem estágios, a prosseguirem os estudos universitários para não ficarem paradas, a trabalharem em part-time ou em horário completo como comissionistas a 100%. Também conheço quem acumule o full-time com um vencimento-base de uns 250/300 €, ficando o resto dependente de comissões, situação que considero normal (só que não) para quem está a entrar no mercado de trabalho, mas que se torna ridícula para quem, quase a entrar nos 30, necessita de outro tipo de condições financeiras. Ou então, não, mas depois não culpem essas pessoas pela baixa natalidade ou por tardarem em sair de casa dos pais. Critiquem-nas por quererem viver no país onde nasceram quando a lógica diz que deviam ir embora.

 

Qual é o louco que vai sair de casa sem arranjar um emprego que lhe permita fazer face às despesas mais básicas (renda, água, luz, gás e comida)? Quais são os irresponsáveis que, ganhando 300 €, decidem ter filhos? E quantos postos de trabalho existem verdadeiramente em Portugal? E quem costuma ficar com eles? Mais do que nunca, viver em Portugal é um luxo só ao alcance dos jovens cujos familiares conhecem A, que é amigo de B, que andou ao colo com C. Os outros são carne para canhão.

20
Mai17

Notícias da Gâmbia

Francisco Freima

A história mais bela do mundo continua a desenrolar-se na Gâmbia. Este país, recentemente libertado da ditadura de Yahya Jammeh, continua a desbravar os caminhos para a democracia. 

 

Confesso que ao longo dos últimos meses estabeleci uma relação especial com a Gâmbia. Além de lindo, o país tem vivido dias semelhantes aos da nossa madrugada libertadora, o 25 de Abril. A alegria espalha-se pelas ruas, há uma ânsia de comunicar que perpassa em reportagens realizadas por canais como a GRTS (Gambia Radio & Television Services), onde vemos mulheres a informarem-se dos seus direitos ou trabalhadores a reivindicarem melhores condições laborais. Quem assistir ao telejornal colocado neste postal, verificará que o inglês dos jornalistas pode não ser o melhor ou que as imagens parecem saídas de uma câmera perdida nos anos 90. Todavia, também reparará que a Gâmbia tem melhores jornalistas do que os nossos: a falta de condições técnicas para executarem um trabalho mais elaborado é compensada pela sua capacidade como profissionais. Na GRTS vemos um alinhamento noticioso digno desse nome, iniciando com uma reportagem acerca do acordo celebrado entre a Gâmbia e a China, passando depois para uma notícia relacionada com o julgamento de antigos elementos da polícia secreta de Jammeh. Há ainda reportagens sobre as pescas, a criação de emprego nos sectores do turismo e da agricultura, a consciencialização das mulheres acerca dos seus direitos e as celebrações do 1º de Maio... Na vertente internacional, aborda-se a violência na África do Sul.

 

Um jornalismo limpo, sem futebolização, sem ruído ou procura de assuntos onde eles não existem. Apenas notícias.

13
Mai17

A crise no Sudão do Sul #3

Francisco Freima

JM Lopez EPA.jpg

 JM Lopez/EPA (sul-sudaneses a fugirem da guerra)

 

No Sudão do Sul mantém-se a crise humanitária, adensada pela guerra que lavra naquele país desde 2013. No entanto, parece que a imprensa portuguesa começa a despertar para este problema, tendo nos últimos dias publicado uma série de notícias referentes aos milhões de crianças sem casa.

 

A oposição tem pedido a intervenção da comunidade internacional no conflito, afirmando que o presidente Salva Kiir está a realizar uma política de genocídio contra as tribos que não sejam dinka. Ao genocídio sucedem-se igualmente os ataques contra trabalhadores humanitários, incapazes de suster o ímpeto saqueador das facções em confronto. A pilhagem de alimentos num país onde 100 000 pessoas já estão a passar fome (e em que o Estado gasta metade do orçamento em armamento) acaba por ser a resposta da impotência perante a subida dos preços, garantida por uma inflação que escalou até aos 900%. Como vivemos num mundo global, não basta declarar a independência para que a nossa autonomia seja estanque em relação aos demais países: a crise no Sudão do Sul tem afectado vizinhos como a República Democrática do Congo e também o Uganda, devido ao decréscimo das trocas comerciais entre os dois países e à evasão fiscal, pois não existe um controlo efectivo das fronteiras.

 

Os milhões de deslocados representam também um problema para a União Europeia. Incapaz de uma política coerente de apoio aos países africanos, a UE continua a colocar a cabeça na areia enquanto milhares de refugiados sujeitam-se a tudo para atravessar o Mediterrâneo. Entre eles, estão os sul-sudaneses.

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