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Zibaldone

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12
Jul16

A crise no Sudão do Sul #2

Francisco Freima

James Akena Reuters.jpgA crise política no Sudão do Sul ameaça despoletar uma nova guerra civil. Na última semana, morreram pelo menos 272 pessoas devido aos confrontos entre forças leais ao vice-presidente Riek Machar (etnia nuer) e aquelas que são afectas ao presidente Salva Kiir (etnia dinka).

 

Como escrevi a 31 de Maio, os três meses seguintes seriam decisivos, por constituírem um período de escassez. Bastaram dois meses para que as escaramuças esporádicas dessem lugar a um conflito sério entre o SPLM-IO e o SPLA (forças governamentais). No último sábado, as celebrações dos cinco anos de independência ficaram ensombradas pelas mortes ocorridas no fim-de-semana. O porta-voz da facção de Machar, William Gatjiath Deng, afirmou que na manhã de sábado «recolhemos e contámos 35 (mortos) do SPLM-IO e 80 das forças governamentais». A capital do país (Juba) tem sido a zona mais afectada pelos combates, sobretudo os subúrbios do sudoeste (Gudele e Jebel), onde existe um aquartelamento de tropas fiéis a Machar. Pela topografia da cidade, não será muito difícil adivinhar que a vitória caberá àqueles que controlarem a área montanhosa de Jebel, a partir da qual poderão ser lançados ataques decisivos de artilharia.

 

A existir uma escalada do conflito, nunca é de mais recordar o que sucedeu em Dezembro de 2013, quando as tropas de Salva Kiir desarmaram as forças de Machar, levando este a fugir para o campo, onde conseguiu levantar um novo exército contra Kiir, eclodindo imediatamente a guerra civil. Milhares de pessoas fugiram do país, milhares morreram a combater e muitos milhares morreram à fome.

 

Entretanto, o governo de unidade nacional parece não controlar a situação. Tanto Kiir como Machar têm apelado às suas tropas para que parem os combates, mas sem sucesso. No lado dinka, quem comanda realmente a situação é Paul Malong, um poderoso general responsável pelos massacres de nueres em Juba, durante a guerra civil. Nessa altura, Malong compreendeu a força da milícia Mathiang Anyoor, pelo que, após o fim das hostilidades, tratou de reforçar o seu poder através da incorporação de novos soldados. Os recém-chegados, mais leais a Malong do que a Kiir, tornaram a Mathiang menos susceptível de ser controlada pelo governo. Quanto a Machar, tem pouca influência sobre o SPLM, as bases não o respeitam, sobretudo depois de ter demitido a maior parte dos oficiais que conduziram a guerra pelo lado nuer.

 

O Sudão do Sul está à beira da guerra. E nós, quando acordaremos para estes problemas?

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