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Zibaldone

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01
Mai17

A luta do Observador

Francisco Freima

A direita, na sua ânsia de atacar a esquerda, usa qualquer sofisma para legitimar os seus delírios. O último é o apoio do Bloco de Esquerda a Marine Le Pen, porque esta é de esquerda... no Observador, José Manuel Fernandes ensaiou a tese absurda, comparou propostas e desvalorizou as políticas de «imigração e segurança» – é só a principal questão da actualidade europeia. A esquerda é a favor do acolhimento dos refugiados, a direita é maioritariamente contra. Porquê a principal? Porque são pessoas, não são números económicos. Estão ali, nos campos de refugiados da Grécia e da Turquia, à espera de uma solução para o seu problema. Mas JMF tem razão quando afirma que os extremos tocam-se: o Observador e o Luta Popular são disso exemplo.

 

A mirabolante teoria de que alguém apoia outrem por não apoiar ninguém merece ser estudada e abre um precedente engraçado para a direita no futuro. Fica a pergunta: quando existirem eleições no BE, como a que opôs recentemente as moções de Catarina Martins, de Catarina Príncipe e de João Madeira, será pedido ao CDS que apele ao voto numa delas? Outra: caso um ditador decida concorrer sozinho a eleições, os histéricos do apoio também virão logo oferecer os seus préstimos ao candidato? O BE apoiou Jean-Luc Mélenchon. Não passando à segunda volta, e não estando directamente envolvido nestas eleições, acabou aí a história. Ou pelos vistos não, tamanhas têm sido as críticas! Quem os ouvir pensa que o patrocínio do Bloco é fundamental para que Macron vença no domingo. Há quem chegue ao ponto de evocar a segunda volta das presidenciais de 1986, que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral. Esquecem-se de referir que foi uma eleição renhida (não parece ser o caso desta) e que foi em Portugal. 

 

Colar o BE a Marine Le Pen é um exercício de desonestidade intelectual, bastando referir o postal publicado por mim há uma semana, no qual escrevi que votaria em Macron se fosse francês. Não sei se isso é suficiente para apaziguar José Milhazes, que num artigo infeliz define Francisco Louçã como «guru» do partido e faz da posição dele um dogma. Infelizmente para Milhazes, eu também sou Francisco, também milito no Bloco, mas defendo o voto em Macron (ao que sei, ainda não fui expulso). 

 

Não deixa de ser sintomática a misoginia inerente a ambos os Zés quando escrevem sobre o Bloco. Onde Milhazes define Louçã como «guru», dando a entender que uma mulher não consegue pensar pela sua cabeça, Fernandes descreve-o como «endoutrinador-mor». E termina a dizer que este país «tolera todos os dislates às meninas do Bloco», referindo seguidamente os artigos de Jorge Costa e de Nelson Peralta... das duas, uma: ou JMF pensa que Jorge e Nelson são nomes femininos, ou então tem algum preconceito que o leva a ter de citar pelo menos um homem de cada vez que fala nas mulheres do BE. Já a conversa das «meninas do Bloco» é do mais reles que pode haver, pela conotação da palavra «meninas» e pela forma como tem sido utilizada para objectificar e apoucar o papel das mulheres.

 

Mais uma vez, os extremos tocam-se: o «meninas» de José Manuel Fernandes anda de mãos dadas com o «putedo» de Arnaldo Matos. Ou não fossem as duas faces do mesmo vintém.

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