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Zibaldone

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28
Set16

A man for all seasons

Francisco Freima

Shimon Peres.jpgO mundo está de luto. A morte de Shimon Peres deixa-me apreensivo em relação ao futuro de Israel, país com o qual simpatizo. A nova geração de políticos israelitas parece órfã de vozes moderadas, que prefiram o diálogo a uma lógica de confronto. Restam Yossi Beilin, o protegido de Shimon, além de Amos Oz, sobre o qual vou mantendo a esperança de que um dia se candidate ao cargo de primeiro-ministro. Dos novos, admiro Jonathan Ben-Artzi, que não se coibiu de enfrentar o tio Netanyahu e de ser encarcerado durante um ano por recusar ir à tropa.

 

Como costuma suceder nestes casos, a grandeza de Peres foi também marcada por grandes contradições: na sua juventude, ele foi o dinamizador da parceria estratégica entre o Estado hebraico e a França, fundamental para a compra dos caças Mirage III e para o desenvolvimento do programa nuclear israelita. Mas os tempos eram outros. Nos primeiros anos da sua existência, Israel encontrava-se cercado e ameaçado pelos vizinhos árabes, que olhavam para a jovem nação como uma presa fácil. Só que ao contrário do que se esperava, os israelitas mostraram ser feitos de uma fibra inquebrantável. Ainda hoje me espanto com as proezas desses homens e mulheres, que passaram pelo Holocausto e depois de serem quase aniquilados tiveram força suficiente para reerguer um país das cinzas bíblicas. Um desses homens foi Shimon, cuja família, deixada em Wiszniew (Polónia), foi morta pelos nazis, destino ao qual não teria escapado se os seus pais não tivessem decidido mudar-se para a Palestina, então um protectorado britânico.

 

Da carreira política de Shimon Peres, apenas lamento aquelas declarações sobre o genocídio arménio, quando o considerou uma grande tragédia, mas nada comparável ao sucedido no Holocausto. Envoltas em polémica, nunca se apurou bem se fora devidamente citado. Quero acreditar que não, mas, a ser verdade, o erro é desculpável: a tragédia dos judeus foi vivida por ele, a dos arménios já há algum tempo que pertence apenas aos livros de História. 

 

Hoje morreu um grande homem. Paz à sua alma 

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