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Zibaldone

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16
Set16

A morte de Jara

Francisco Freima

Víctor Jara.jpgPassam hoje 43 anos do assassinato de Victor Jara às mãos dos esbirros de Augusto Pinochet. A 11 de Setembro de 1973, o governo de Salvador Allende foi deposto pelas forças reaccionárias comandadas por Pinochet. O golpe militar depressa resvalou para uma perseguição sem quartel aos apoiantes de Allende, que se havia suicidado nesse mesmo dia no Palacio de la Moneda. 

 

Aos 40 anos, Víctor Jara era uma figura proeminente da sociedade chilena. Vindo de uma família pobre de camponeses, construíra a pulso a sua carreira musical. A mãe, Amanda Martínez, criou-o sozinha, após o pai de Víctor, Manuel Jara, ter abandonado a família à sua sorte (a relação dos pais seria imortalizada na música Te Recuerdo, Amanda). Foi esta grande mulher, mãe e pai de cinco filhos, que passou a Víctor o gosto pela música, pois sabia tocar viola. Rapidamente o jovem Jara conquistaria o país com as letras carregadas de preocupações sociais, dirigidas aos trabalhadores e às classes desfavorecidas. Expoente máximo da Nueva Canción Chilena, membro do Partido Comunista Chileno e apoiante de Salvador Allende, Víctor seria um alvo natural para a ditadura de Pinochet.

 

No dia 16 de Setembro, cinco dias após o golpe, Jara foi preso na Universidade do Chile, juntamente com outros alunos e professores. Levado para o Estádio Chile (e não Estádio Nacional do Chile, como vem no artigo do Observador), foi torturado e fuzilado. Conta-se que os guardas, insatisfeitos por verem Jara levantar o moral dos detidos com a sua viola, decidiram cortar-lhe os dedos. Ao voltar para junto dos detidos, Víctor começou a cantar o hino da Unidade Popular, o partido de Allende. Foi sumariamente fuzilado.

 

No entanto, a história da morte de Jara, igual a tantas outras nesses tempos sinistros, conheceu um novo capítulo este ano: o autor dos disparos que vitimaram o famoso cantor, Pedro Pablo Barrientos, foi condenado por um tribunal dos EUA pelo assassinato de Jara, aguardando-se agora que o ex-militar seja extraditado para o Chile. Esta condenação não limpa o comportamento dos EUA nos trágicos anos da Operação Condor, mas ajuda a reconciliar um continente com a sua história.

 

A justiça pode tardar, mas acaba sempre por chegar a todos. Nestes 43 anos da morte de Víctor Jara, celebremos o grande artista e o grande homem que ele foi 

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