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Zibaldone

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08
Dez16

A santanette da Santa Casa

Francisco Freima

Helena Lopes da Costa.jpgTodos sabemos que PS e PSD são um viveiro de corruptos, mas ver as imagens das últimas reportagens sobre a Santa Casa da Misericórdia chega a ser ternurento. Nelas, Helena Lopes da Costa, sitiada por jornalistas que lhe fazem perguntas incómodas, olha ansiosamente para Santana Lopes. O provedor percebe a dica e lá vem em socorro da donzela em perigo.

 

O problema é que Helena Lopes da Costa não é nenhuma donzela, nem nenhuma flor que se cheire. Quando era vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, esteve implicada num caso de corrupção relativo à atribuição de habitações sociais a pessoas amigas. Cedeu ainda um espaço municipal ao amigo José Freire Antunes, historiador e durante alguns anos colega de Helena na bancada do PSD, pela módica quantia de 49,65 € por mês (quando naquela zona as rendas eram superiores a 1000 € mensais para casas com a mesma tipologia). No entanto, seria ilibada em 2011 com a conivência de uma juíza, que não deu provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público. Segundo o acórdão da douta Ana Cristina Silva, «o poder discricionário atribuído pela lei à vereadora permitia-lhe atribuir casas a quem entendesse.» Esta foi a mesma magistrada que, sem provas mas com «indícios fortes», conseguiu ver (e bem) um negócio no apoio de Luís Figo a José Sócrates. Porquê então a dualidade? Não sei. Utilizando as palavras de Ana Cristina Silva, só posso concluir pelos indícios fortes de que no TIC mora uma juíza laranja.

 

A carreira criminosa de Lopes da Costa não termina aqui. No mesmo ano em que surgia a acusação das habitações sociais (2009), vieram a lume as suspeitas sobre a compra de votos dentro do PSD. À época, Helena e o comparsa António Preto refugiaram-se na teoria da conspiração (vinham aí as eleições legislativas e, como bem sabemos, eles eram duas figuras conhecidas em todo o país e até a nível mundial...), mas a verdade é que cinco militantes acusaram-nos de práticas criminosas:

 

À Sábado, a militante da secção H do PSD Lisboa, Irene Lopes, disse mesmo: "António Preto tem vários amigos, pessoas em quem confia em várias secções, que disponibilizam votos para ele utilizar a nível distrital e até nacional." A militante acusa também estes líderes de secção e de distrito de "inscreverem as pessoas em troca de emprego".

Segundo Irene Lopes, uma pessoa para obter emprego nas juntas de freguesia "controladas por eles", tem de inscrever um determinado número de militantes no PSD.

Irene Lopes é dos "denunciantes" que faz acusações mais graves e chega mesmo a dizer que há pagamentos de "25 e 30 euros" a militantes angariados em bairros sociais para votarem em Rui Marques e Ismael Ferreira nas respectivas secções, H e Oriental.

 

Entretanto, o caso foi abafado. Como vimos, em 2011 Helena voltaria a passar pelos intervalos da chuva. Chegados a 2016, e com novas suspeitas de corrupção a pairarem sobre a vogal da Santa Casa, não me admiraria que a girl do PSD fintasse outra vez a Justiça. Pode não ser uma figura nacional do partido, mas Helena Lopes da Costa tem amigos influentes no sistema judiciário. Num país normal, estaria presa ou, se já tivesse cumprido pena, impedida de concorrer a cargos públicos. Em Portugal, não: é nomeada vogal da Santa Casa da Misericórdia. 

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