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Zibaldone

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21
Abr17

A vacina do socialismo

Francisco Freima

Tenho seguido o caso das vacinas com alguma curiosidade. Fora a morte da rapariga e respectivo pelourinho montado para apedrejar os pais, o resto é conversa de meridionais a produzir o caos em quem os ouve. Mesmo um povo nada dórico como os Romanos dizia que nos confins da Ibéria havia outro que não governava nem se deixava governar...

 

Comecemos pelos maluquinhos anti-vacinas, categoria a que os pais da jovem não pertencem (é o que dá atirar pedras antes de conhecer os factos). Na sociedade em que vivemos, e desde que não infrinja a lei, cada um tem o direito de praticar aquilo em que acredita. Os maluquinhos anti-vacinas, pese a acefalia do que defendem, estão dentro da lei. Em nenhum lado existe uma norma que obrigue os teóricos da conspiração a vacinarem os rebentos com "vírus criados pela CIA". Também há quem acredite que as corporações farmacêuticas é que são as más da fita, que têm a cura para as doenças mas querem manter as pessoas nesse estado. Tenho pena de quem pensa assim, eu não consigo conceber tamanho maquiavelismo nem chegar a esse grau de extremismo. Porque é extremismo pensar que um conjunto de humanos, pessoas como nós, sujeite há décadas as pessoas a morrerem estupidamente pelo lucro. Não digo que seja impossível existirem casos isolados, agora uma acção concertada na era das Wikileaks seria bastante improvável. E neste caso até são os países a definirem as vacinas que entram ou não no seu programa nacional, pelo que a suspeita é ainda mais infundada.

 

Mas os grandes malucos são alguns dos que exigem a obrigatoriedade da vacinação. Falo por mim, eu defendo essa obrigatoriedade, mas dá-me gozo ver putativos liberais defenderem a intervenção do Estado. Afinal a mão invisível só não serve para vacinar, no resto os hospitais até podem ser privatizados, as polícias entregues a empresas de segurança e a economia ao salve-se quem puder. Se antes deste caso o BE e o PCP tivessem proposto a vacinação obrigatória, seriam logo acusados de ingerência em questões familiares, de impedirem as pessoas de seguir as suas convicções, de quererem impor a sua agenda marxista... se este caso fosse na Rússia, não passaria de uma conspiração de Putin, que ordenara o assassínio de uma rapariga inocente para impor o seu maléfico programa de vacinação. Como foi em Portugal e causou uma comoção geral, sejam liberais ou socialistas, todos defendem a obrigatoriedade. Isto até ao dia em que uma criança tenha uma reacção alérgica à vacina e morra. Aí virarão os archotes na direcção oposta.

 

Por último, é nestas alturas que me orgulho de ser sankarista. No Burkina Faso, o governo de Thomas Sankara vacinou 2,5 milhões de pessoas numa semana contra a meningite, a poliomielite e... o sarampo. Simplesmente notável.

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