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Zibaldone

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20
Jun17

Ameaça global

Francisco Freima

Global-warming.jpg

Mais importante do que escrever sobre o sucedido em Pedrógão Grande, importa pensar no futuro. Indo além da realidade nacional, da falta de meios e da limpeza das florestas, devemos reflectir naquilo que é mesmo estrutural, o aquecimento global.

 

Saiu recentemente um estudo onde se aponta que 74% da população mundial será afectada por ondas de calor mortíferas até ao final deste século. Isto, claro, se mantivermos o padrão de comportamento actual. Reduzir as emissões de gases poluentes é um imperativo que devia estar presente na cabeça de todos antes de iniciarem as suas rotinas diárias. E a diferença pode ser feita em coisas pequenas, como deixar de consumir carne de animais bovinos ou andar de bicicleta em vez de carro quando a distância justifique a troca. Se for para mais longe, então o ideal será optar pelos transportes públicos. Bem sei que estes nem sempre providenciam um serviço de qualidade, mas quantos mais utilizadores tiverem, mais a qualidade tende a aumentar, nem que seja por pressão dos próprios clientes. Os governos têm também uma palavra a dizer, já que devem promover uma maior concorrência entre operadores, sejam eles públicos ou privados.

 

Espantosamente, o que vemos é o oposto do bom-senso. Os EUA saem de um acordo minimalista para travar as alterações climáticas e a UE dedica-se a proibir o fumo do tabaco em vez de se concentrar no essencial, a diminuição das emissões poluentes das fábricas e dos automóveis. Já a energia nuclear continua a ser utilizada como se os desastres só pudessem acontecer no quintal do vizinho. Assim não vamos lá, mas parece que ninguém está preocupado. Depois ainda há quem afirme que o aquecimento global é uma farsa... Suponho serem os mesmos que, vendo um ladrão a apontar-lhes uma arma, dizem que ela não é verdadeira e tratam de levar um tiro ao tentarem desarmar o assaltante. O aquecimento global podia ser o maior embuste da história, que isso não significaria muito. No pior dos cenários, teríamos investido em fontes de energia menos poluentes e na adopção de hábitos saudáveis – para conspiração, o objectivo diabólico deixa um bocado a desejar...

 

Lá para 2100 veremos o resultado das nossas acções ou inacções. Eu já cá não estarei, e confesso que em termos prospectivos este debate pouco me aflige: não conto ter filhos, se os humanos querem satisfazer a sua pulsão suicida, por mim estão à vontade. Só depois não digam que não foram avisados.

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