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Zibaldone

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05
Nov16

Amora FC

Francisco Freima

Amora FC.gifExistem pessoas que adoptam animais, eu adopto clubes de futebol. Volta e meia, deparo-me com uma colectividade meio esquecida que exige espaço à minha costela benfiquista. Foi assim com o Chaves, com o Belenenses, com o Odemirense e, agora, com o Amora. 

 

Confesso que o clube da terra nunca me interessou muito. Apesar disso, nos últimos tempos tenho sentido o chamamento da Medideira. Pode parecer parvo, mas penso que a cidade ressente-se dos maus desempenhos dentro das quatro linhas. Na década de 80, o período áureo do Amora (esteve três anos na I Divisão), os meus pais contam que esta zona fervilhava de movimento, abriam-se negócios por toda a parte enquanto o país se preparava para a entrada na CEE. Nos anos 90, apanhei o fim da festa, iniciando o clube uma espiral de decadência, que culminaria com a descida às divisões distritais. O fracasso ditou o afastamento da população, o afastamento da população ditou as dificuldades económicas. Em 2013, o Estádio da Medideira foi vendido em hasta pública a um empresário. Como tem acontecido um pouco por todo o concelho do Seixal, esse empresário aproveitou as dificuldades do clube para comprar barato um recinto desportivo sem qualquer intenção de ficar com ele. O objectivo passava por realizar uma permuta com a Câmara Municipal do Seixal, no sentido de obter terrenos para construção imobiliária (a sorte do Amora é o PDM manter a Medideira como área exclusiva para edificado desportivo).

 

Por incrível que pareça, descobri isto há pouco tempo. Informando-me melhor, soube que a anterior direcção deixou a colectividade num estado lastimável: dívidas a fornecedores, salários em atraso, contas da luz por pagar e a equipa prestes a descer (novamente) aos distritais. No entanto, houve um homem que amparou a queda livre, o presidente Carlos Henriques. Empossado em 2014, tem feito um trabalho notável para recuperar o clube. Curiosamente, e como estas coisas não acontecem por acaso, foi nessa altura que comecei a sentir o chamamento da Medideira. De cada vez que passava ali sentia uma indefinida nostalgia por algo nunca vivido. Deixando o sentimento à sua sorte, vi que estava perdido de amores por mais um clube de futebol.

 

E é isto: para a semana efectuarei a minha inscrição como sócio do Amora FC. Talvez devesse ser o passo lógico para quem cresceu na terra, mas a verdade é que demorei 28 anos. Mesmo assim, nem foi mau, o ambiente conspirava contra mim. Numa freguesia com 48 629 habitantes, o clube tem 900 associados. Não fosse o facto de passar muitas vezes pela Medideira, e talvez ainda estivesse adormecido. Naquele lugar há magia, ou muito me engano ou ali será feita história no futuro.

 

Viva o Amora!

 

PS: Este post foi agendado. Hoje e amanhã estarei no Porto a participar numa iniciativa da Esquerda Alternativa. Só volto ao Zibaldone na segunda. Bom fim-de-semana 

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