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Zibaldone

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21
Jan17

Às portas de Banjul

Francisco Freima

Soldados senegaleses na Gâmbia.jpgSexta-Feira, 20 de Janeiro: Enquanto escrevo, um exército de 7 000 homens retomou a sua marcha em direcção a Banjul. Organizada pelos países do ECOWAS (Economic Community of West African States), esta força militar tem por missão remover Yahya Jammeh do poder, o ditador que depois de reconhecer a derrota procura perpetuar-se na presidência.

 

A Gâmbia vive por estes dias num tropel de emoções. À alegria pela tomada de posse de Adama Barrow (a cerimónia realizou-se na embaixada da Gâmbia em Dacar, no Senegal) sucede-se a angústia de um futuro incerto. Neste momento, ninguém sabe o que vai na cabeça de Jammeh, após ter perdido em toda a linha. As tropas gambianas na fronteira com o Senegal não opuseram resistência à entrada dos soldados estrangeiros, ficando a ideia de que o ainda Presidente se encontra isolado. O próprio vice-presidente, Isatou Njie Saidy, demitiu-se na sequência destes acontecimentos. O ciclo de Jammeh terminou, e só ele ainda não deu conta disso mesmo: ao mar de gente que nas ruas de Banjul festejava a tomada de posse de Barrow deve ter correspondido o silêncio sepulcral dos gabinetes ministeriais vazios. As deserções têm sido tantas que o mais certo é que o tirano não encontre ninguém disponível para integrar a farsa de um governo remodelado. Do que é que ele está à espera? Da tomada de posse de Trump? De reunir os apoios necessários para iniciar uma guerra civil? De garantir que o seu património fica a salvo, ou que uma resposta ao seu pedido de asilo chegue?

AFP Photo Adama Barrow sworn in.jpgSábado, 21 de Janeiro: Yahya Jammeh vai deixar o poder! A incursão militar foi preponderante para esta decisão, uma vez que as tropas do ECOWAS não encontraram qualquer oposição. Pelo contrário, o responsável pela Defesa no governo de Jammeh demitiu-se e disse que receberia o exército estrangeiro com uma chávena de chá. Vendo o cerco a apertar-se, o ditador decidiu finalmente sair do poder. Resta agora saber qual o país que o irá acolher no exílio. Por falar em exílio, a teimosia de Jammeh foi responsável pela fuga de 45 000 gambianos para o Senegal, e de outros 800 para a Guiné-Bissau. Espera-se que o clima de desanuviamento permita o regresso destes cidadãos ao seu país.

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