Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

10
Out16

Assustador

Francisco Freima

Trump vs Hillary.jpgPara quem não assistiu, lamento informar que Donald Trump venceu o debate. Os democratas arriscam-se a perder estas eleições se continuarem a retratar Trump como o Anticristo. Esta noite, saiu-lhes o tiro pela culatra. Basta o republicano aparecer com um discurso minimamente plausível para se ver que o homem é muito mais do que a caricatura feita pela campanha de Hillary Clinton. Algo do género já sucedera com Ronald Reagan, «o actor» que acabou por vencer a corrida contra Jimmy Carter. Numa época ultra-mediatizada, Trump reflecte o seu tempo e a degradação dos conteúdos televisivos. 

 

Por cá, a comunicação social fala em empate. É natural e diz muito do jornalismo praticado actualmente, incapaz de subscrever as teses que os donos negam para dar uma ideia de unanimismo em torno do mal menor, representado por Clinton. Não admira: Trump é o pior da direita levado ao extremo.

 

A realidade é que se assistiu ao massacre de uma política profissional, frouxa na defesa (aquela do Lincoln soou a desculpa esfarrapada) e previsível nos ataques, pois foi Hillary quem baixou mais o nível, dando um ar presidenciável ao republicano. Novamente, basta Trump manter uma atitude minimamente educada para contrariar a propaganda lançada contra ele. O que fica para o americano comum é o «afinal ele não é tão mau como o pintam». Aliás, ele ganhou as primárias assim, contra políticos que nunca o levaram a sério (Jeb Bush que o diga). Pelos vistos, Hillary também não aprendeu nada com o debate entre Al Gore e George W. Bush, quando o primeiro assumiu uma postura de superioridade em relação ao segundo. Os sorrisos condescendentes de Hillary contrastaram com a pose sinistramente séria de Trump. Num discurso demagógico eficaz, o republicano toca nas cordas sensíveis do eleitorado de direita, tendo a ousadia de afirmar bem alto o que muitos pensam ou dizem em conversas privadas. Noutro aparte, dá-me gozo ver a direita portuguesa renegar aquele que é o seu candidato, quando se afoitam depois a colar Maduro ao Bloco de Esquerda... já li teses mirabolantes que indicam Trump como próximo do BE!

 

Por qualquer mistério, estas coisas escapam aos nossos comentadores: falam na falta de preparação de Trump, no discurso coerente de Hillary, mas esquecem-se que um debate não é o chá das cinco entre pseudo-intelectuais. Vi Rui Tavares, em directo a partir de Washington, declarar que assistira ao debate com americanos. Segundo ele, estes eram altamente elogiosos para com os regimes parlamentares da Europa e diziam-se desanimados com a campanha presidencial. Nem foi preciso pensar muito para ver que Rui Tavares estava num desses ambientes cosmopolitas, nada representativos da «América profunda».

 

O Ohio, a Florida e a Pensilvânia decidirão tudo. Na parte dos indecisos, a forma como Trump lidou com a última pergunta determinou a sua vitória. Um indeciso foca-se mais nas pessoas do que nas ideias: ao perguntarem a Hillary o que admirava no seu adversário, a democrata respondeu «os seus filhos»; ao fazerem a mesma pergunta a Trump, ele disse que Hillary «é uma lutadora, nunca desiste». A expressão de Hillary ao ouvir o elogio diz tudo. Naquele momento, ela deu-se conta do erro, da percepção transmitida: o lunático teve um gesto de respeito pela adversária, a ex-senadora foi incapaz de reconhecer um único mérito a Trump. Preferiu falar nos filhos dele.

 

PS - Nem tudo é mau: se Donald ganhar, um madeirense poderá baptizar o seu rebento de Cristiano Donaldo. Voltaremos a ter assim um dos melhores jogadores do mundo.

19 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor