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Zibaldone

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23
Mai17

Atento ao atentado

Francisco Freima

Na sequência de mais um atentado, os lesados do NES passaram para segundo plano. De futebol, só mesmo o momento em que a RTP ligou ao Idalécio para saber o que estava a dar na televisão inglesa. Na SIC, o Nuno Rogeiro lança suspeitas sobre o serviço de catering e na TVI, após confirmação de que a bomba tinha rebentado do lado de fora, a pivô pergunta como fora possível a entrada daquele engenho explosivo dentro do recinto...

 

Já começam a aparecer hashtags #prayformanchester e #prayforarianators. Novamente, os ateus passam pelos intervalos da chuva no molhado. Ou não, se tivermos em conta que todos os portugueses residentes no Reino Unido foram acordados para bocejarem alguma coisa. Todos, menos José Mourinho (é nestas alturas que o estatuto de special one vale uma noite descansada). Adianta-se a madrugada, os abutres param de coçar o bico nos ossos dos defuntos. O público dorme, amanhã logo exigirão as maluqueiras do costume: mais «segurança», menos refugiados e mais ou menos Europa. Para mostrarem serviço, os generais na reserva serão mobilizados para a frente da televisão, esperando que alguém se esqueça de deitar o saco do lixo no contentor. Chafurdarão em teses mirabolantes e notarão, com algum despeito, o facto de Lisboa nunca ter sofrido um atentado – depois da Eurovisão, é inaceitável que o Daesh ou um «lobo solitário» não considere a nossa capital digna do martírio.

 

Assente a poeira, dirão que a culpa é da Rússia. Ou do Benfica.

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