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Zibaldone

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08
Jun17

Blogs do ano

Francisco Freima

Blogs do ano.png

Ao pesquisar no site da TVI sobre o regulamento do prémio para os blogues do ano deparei-me com estes «critérios de avaliação»:

 

AUTENTICIDADE - Ter uma voz própria, ser único, original, diferente, reconhecido e reconhecível;

DIMENSÃO - Possuir uma audiência relevante; a dimensão no mercado das marcas e o investimento demonstrado pelas mesmas são fortes; gera forte impacto e alcança grande dimensão com o que escreve/produz/diz, indo para além do seu público; forte na blogosfera, mas vai além dela entrando mesmo no espaço mediático;

REFERÊNCIA & RELEVÂNCIA - Fazer a diferença ou marcar a diferença na sua categoria; a sua origem e/ou longevidade são um traço forte na sua identidade; o público e a blogosfera nesta temática sentiriam a sua falta caso não existisse, mas também as marcas; é um forte ator na captação de investimento;

COMUNIDADE - Ter uma presença em social media e saber dinamizá-la; o envolvimento nessas redes sociais ser forte e sobretudo no próprio blog com os leitores, seja nos comentários, nas dinâmicas de feedback, passatempos ou conteúdo gerado com e para os fãs; demonstrar ter adesão e união da sua comunidade; além disso ter um alcance que vai para além da sua própria comunidade.

 

Ao ler percebi que mesmo que fosse um vendido nunca venceria o prémio. Um blogue com 66 seguidores não está ao nível de quem produz conteúdos fracos mas consegue atrair as massas. Todo o enunciado parece-me de uma indigência intelectual sem limites, reduzir um blogue a audiências, marcas, captação de investimento, passatempos, é de quem não percebe nada do assunto. Um blogue é (ou deveria ser) a voz de uma pessoa, um veículo para escrevermos sobre aquilo de que gostamos sem nos levarmos demasiado a sério. 

 

Fui ver depois o júri: entre acomodados (Ana Sofia Vinhas, Pedro Ribeiro), filhos do papá (Álvaro Covões, Rita Nabeiro) e actores de telenovela (Ana Sofia Martins, Lourenço Ortigão, Rita Pereira), não há ninguém que se aproveite. Sendo o principal produto dos blogues a escrita, é curioso verificar que na lista não consta o nome de nenhum escritor. Mas há o inevitável humorista. E o cozinheiro. E a senhora que vende champô. Outro facto curioso são os dois arquitectos, haverão assim tantos blogues sobre o tema? Para quem se dedica à literatura, talvez seja o cozinheiro ou o autor de A Pátria dos Loucos a avaliar, embora a economista tenha sempre a última palavra. Pelos vistos não há lugar para almoços grátis. Só mesmo para passageiros clandestinos.

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