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Zibaldone

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04
Mar17

Catástrofes declaradas

Francisco Freima

AP Photo.jpgEnquanto o mundo discute quem errou no «caso dos envelopes», uma tragédia humanitária está prestes a acontecer em diferentes pontos de África: Sudão do Sul, Nigéria, Iémen e Somália estão a negro marcados no mapa da fome. Neles, a seca foi responsável pela declaração do estado de catástrofe.

 

Além da fome, todos eles comungam de problemas políticos bastante graves. No Sudão do Sul, onde a crise é mais grave, já existem zonas em que a morte por falta de alimentos é uma realidade, estando 100 000 pessoas em risco neste momento. E não devia ser assim: o Sudão do Sul é um país rico em recursos naturais, particularmente em petróleo. Todavia, a guerra civil canaliza os recursos do jovem país para a compra de armamento. A gravidade do problema fica patente nos relatos sobre pessoas que comem nenúfares para sobreviverem.

 

Na Nigéria, outro país rico em petróleo, o Boko Haram semeia o terror. A fragilidade dos executivos e os sucessivos casos de corrupção impedem a resolução dos problemas internos, que são a luta contra o terrorismo e os movimentos separatistas. Além disso, agora há a fome. País de acolhimento para refugiados, a Nigéria tem de ser mais ajudada pela comunidade internacional, pois os seus campos de refugiados há muito que se encontram sobrelotados.

 

O Iémen, embora numa menor escala, sofre a «maldição do petróleo». Igualmente a braços com uma guerra civil, a impossibilidade de os agricultores lavrarem destruiu a pouca resistência que o país oferecia à fome. Sete milhões de pessoas estão em risco, sendo chocantes e intoleráveis as imagens de crianças mal nutridas. Enquanto isso, os governos de Teerão e Riade continuam as suas guerras por procuração naquele país, sem que ninguém lhes imponha sanções.

 

Por último, a Somália. Numa altura em que a esperança renasce para a população, os terroristas tentam intimidar o governo recém-eleito. O presidente Farmajo tem trabalhos hercúleos pela frente: além do combate aos senhores da guerra que impõem a sua lei em vastas áreas do país, a luta contra a corrupção e a resposta à seca marcam a agenda. 

 

Nestes quatro países, mais de 20 milhões de pessoas estão em risco. O mundo dorme o sono dos injustos.

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