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Zibaldone

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18
Fev17

Continuam os ataques

Francisco Freima

Crianças.jpgA notícia já tem algumas semanas, mas merece ser destacada: ainda morrem albinos em África, vítimas da superstição popular. O Malawi continua a ser um dos países afectados por estes actos bárbaros, que levantam cada vez mais questões. Neste momento, está em discussão a aplicação da pena de morte para aqueles que matem albinos. Sendo geralmente contra a pena capital (só a aceito em casos de deserção do campo de batalha), concordo com a sua aplicação nestes casos. Chega uma altura em que as pessoas têm de compreender que certas atitudes não podem passar sem um castigo adequado ou um efeito dissuasor suficientemente grande para espantar os candidatos a assassinos.

 

Neste ponto, levanta-se outra questão, que tem a ver com os paladinos do relativismo cultural. Eu sou de esquerda, mas não sou banana: tal como repudio todos os países árabes que tratam as mulheres como lixo (Palestina incluída), não compactuo com pretensos relativismos culturais. Aliás, ser de esquerda não é andar com paninhos quentes a acomodar pretensas diferenças. Ser de esquerda é acreditar que existem valores universais. Se não fosse assim, não teriam morrido milhares de jovens europeus a lutarem sob a bandeira da França revolucionária, que prometia Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre os povos. De resto, o Código Napoleónico figura entre as páginas mais belas da História. Em nome da civilização, existem comportamentos que têm de ser eliminados.

 

A perseguição aos albinos é um deles. Ninguém pode aceitar que estas pessoas vivam em constante sobressalto, diminuídas enquanto cidadãs dos seus países. À conta das patranhas propaladas por curandeiros sem escrúpulos, todos os anos são registados ataques contra estas populações. Como a estupidez das pessoas é capaz de grandes insolências, mesmo depois da morte os albinos sofrem: as suas campas costumam ser profanadas na busca por ossadas. É estúpido que em pleno século XXI ainda existam pessoas que acreditem nas fábulas sobre a pretensa sorte que as partes do corpo de um albino possuem. Além de ser estúpido, pode ser grotesco quando, à semelhança do que sucede com a maioria dos «caçadores de albinos», o único móbil seja o dinheiro que os curandeiros pagam por essas «preciosidades» – haverá algo mais precioso do que a vida de uma pessoa? 

 

Por último, quero saudar o Malawi pela aprovação da lei que impede o casamento de crianças. São medidas destas que tornam o mundo um lugar melhor.

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