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Zibaldone

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18
Abr16

Crime de irresponsabilidade

Francisco Freima

Tiririca foto de Ueslei Marcelino Agência ReutersCom Eduardo Cunha no papel de Palpatine, a Câmara dos Deputados vota neste momento pelo impeachment de Dilma Rousseff. Numa total perversão da democracia, o corrupto Cunha preside à sessão, tendo por objectivo colocar outro corrupto (Michel Temer) na presidência e outro corrupto (Aécio Neves) na sombra. Para levar a água à sua latrina, Eduardo Cunha conta com o apoio de toda a espécie de idiotas úteis: desde o cowboy carioca ao palhaço Tiririca, passando pelos pastores evangélicos, o golpe segue a velocidade cruzeiro, mas sem plano real.

 

Dá-me vómitos ver o escroto Bolsonaro saudar o canalha que torturou a Dilma, mas dá-me esperança ver Glauber Braga evocar o nome de Carlos Marighella no meio daqueles fascistas. De resto, o PSOL, o «partido-irmão» do Bloco no Brasil, é o único que sai engrandecido desta história, mantendo-se fiel quando outros roem a corda, apoiando um governo legítimo sem colocar as mãos no fogo quanto a possíveis casos de corrupção. Como disse Chico Alencar, existem várias boas razões para o impeachment que não aquela que a direita vocifera. As «pedaladas» fiscais, que Dilma utilizou para tapar o buraco orçamental através do recurso aos capitais da banca, não constituem crime. Constituem, isso sim, a prova de que o governo tem genuínas preocupações sociais, já que esse dinheiro foi para despesas relacionadas com os programas «Bolsa Família» e o «Minha Casa, Minha Vida».

 

Aos idiotas do burgo, que comparam este golpe com a «geringonça», só posso dizer que cá existiram eleições, e das eleições resultou o entendimento entre os partidos que suportam a actual maioria parlamentar. No Brasil, três corruptos (Temer, Cunha e Aécio) estão a instrumentalizar os analfabetos políticos para escaparem à Lava Jato. Utilizando o ódio dos jumentos contra Lula, pretendem atingir uma presidente sobre a qual não recai a mínima suspeita. Os cartazes «Tchau Querida» ilustram o seu sexismo. Eles têm achincalhado Dilma Rousseff, porque não suportam ser liderados por uma mulher. 

 

Olho para a televisão: «Pelo meu pai, pela minha mulher, pelos meus filhos... Pelos dez milhões de desempregados... Pela recuperação da economia... Por Deus». Tudo serve para justificar o injustificável, tudo menos os motivos alucinados que presidiram à convocação da farsa. Crime de responsabilidade? Só se for social.

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