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Zibaldone

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25
Mar17

Crise camaronesa

Francisco Freima

protestos regiões anglófonas dos Camarões.jpgA democracia é o respeito pelas minorias, portanto não é de estranhar que num país governado ao arrepio da vontade popular sucedam-se os casos de violações dos direitos humanos. Há muito que Paul Biya surge referenciado como um dos piores ditadores africanos, mas o que tem feito ultimamente supera o seu anterior cadastro. Num país maioritariamente francófono, a perseguição contra as regiões onde o Inglês domina ganha formas de genocídio.

 

Tudo começou quando, no ano passado, os advogados anglófonos exigiram a aplicação do common law, o direito que privilegia a jurisprudência em detrimento dos actos legislativos/executivos, como é mais comum na tradição jurídica romano-germânica. Além disso, reclamavam que o Inglês passasse a ser língua de trabalho nos tribunais do país. A estas reivindicações juntaram-se logo os professores, igualmente insatisfeitos com a perda de influência da Língua Inglesa nas escolas. A partir de Janeiro, os protestos escalaram, criando uma dinâmica bastante forte nas regiões anglófonas. Iniciaram-se então greves gerais, naquilo que ficou conhecido como o Boicote das «Cidades-Fantasma». Durante vários dias, ninguém saía para o trabalho ou para a escola, num claro desafio ao governo central. Enquanto isso, os mais jovens organizavam manifestações nas ruas.

 

A resposta de Iaundé não se fez esperar: a internet foi suspensa e o exército chamado a intervir nas regiões rebeldes. O resultado foi um número indeterminado de mortos, pessoas desaparecidas e muitas outras que continuam detidas. Estas acções incidiram sobretudo sobre os jovens camaroneses. Num artigo que apareceu no Pambazuka News, o relato de um activista descreve uma zona de guerra onde qualquer pessoa pode ser detida arbitrariamente. No final, pede à comunidade internacional que acorra às regiões anglófonas e testemunhe a repressão das autoridades. 

 

Por último, os líderes do protesto enfrentam agora acusações como terrorismo, incitamento à rebelião, violação da Constituição, divulgação de informações falsas... em última instância, as penas poderão saldar-se em condenações à morte.

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