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Zibaldone

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22
Out16

Da Rússia contra o terror

Francisco Freima

Almirante Kuznetsov.jpgSaúdo a passagem do Almirante Kuznetsov ao largo da costa portuguesa, fazendo votos para que porta-aviões e restante frota cumpram a sua missão. Embora os meios noticiosos se esforcem por denegrir a Rússia, qualquer pessoa sensata sabe que uma sã convivência com o gigante de Leste é essencial. Desde logo, porque já não representam a ameaça de outrora, pelo contrário, nós é que somos uma ameaça para eles. Efectivamente, o recrudescimento do belicismo russo só acontece devido à teimosia da OTAN em assaltar o seu quintal. O Ocidente, tão solícito a condenar a URSS durante a crise dos mísseis cubanos, faz vista grossa sobre o sistema anti-míssil levado até às fronteiras eslavas. Para serem coerentes, deviam permitir a Vladimir Putin entregar mísseis ao governo de Havana.

 

Outro problema reside no facto de existir uma aliança atlântica sem que exista um Pacto de Varsóvia. Porque mantiveram os países ocidentais uma organização que ficou sem inimigo? É certo que recuperou desde a ascensão do terrorismo islâmico, mas durante essa «drôle de guerre» (1991-2001) andou desnorteada. Nessa altura, a Rússia, dominada pelos oligarcas, prescrevia um tratamento de choque à antiga economia planificada, tratamento que resultaria em milhões de mortos. E embora deteste Putin, reconheço-lhe o mérito de ter posto o país nos eixos após a presidência apocalíptica de Boris Iéltsin. Ele foi o homem que a Rússia necessitava num período difícil da sua história, pena que se tenha apegado tanto ao poder. Portanto, enquanto a OTAN se exercitava no admirável mundo unipolar, os russos morriam de frio e de fome. O mundo festejava a queda do muro de Berlim e a implosão da URSS ao mesmo tempo que as multinacionais entravam em força no Leste, rapinando empresas públicas a preços de saldo. Quando leio sobre a década de 90 na Rússia, encontro paralelismos com a China após as Guerras do Ópio. Abriu-se excessivamente uma sociedade habituada a depender só de si, pelo que Putin foi a solução para resgatar a independência do prego. 

 

Sendo um homem dos serviços de inteligência, Putin tem uma visão maquiavélica da política. Capaz de controlar o poder e os diversos focos de resistência com que se depara, leva muitas vezes ao extremo o espírito florentino, seja na perseguição a opositores políticos, seja nas operações de bandeira falsa que promove (foi assim que justificou a II Guerra da Chechénia). Em termos de política externa, tem o mérito de seguir uma linha realista no conflito sírio, preferindo derrotar o Daesh a dividir a resistência, como fazem os norte-americanos. Ninguém gosta de Bashar al-Assad, mas ninguém tem uma alternativa que não sejam os incipientes movimentos rebeldes ou os curdos que tentam criar o seu próprio país. O pouco brilhantismo da política externa russa é compensado pela perspicácia de quem sabe onde está o poder.

NATO shield by 2018.jpgDevemos estar atentos aos russos? Sim, tal como devemos estar atentos a um animal acossado que veja o seu território ameaçado. A OTAN tem acicatado a mentalidade de cerco, esperando o casus belli que lhes permita uma aventura pouco recomendável a Leste. A acontecer, seria catastrófica.

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