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Zibaldone

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02
Jun17

DeZemprego

Francisco Freima

A fila faz um Z de desemprego,

Baixos qualificados, altos quadros,

O Santos, o Sousa, o Silva, o Semedo

Falam dos seus descontos descontados.

 

«Ao fundo à esquerda», diz o segurança.

O casal não percebe e volta atrás.

«Olha que dois…» Para eles avança

Moendo a direcção do tanto faz.

 

Duas mulheres falam em surdina

A desgraça de uma outra que passou:

Sem ajuda sustenta aquela filha,

O marido por uma outra a deixou.

 

«Quantos anos tem?» «Faço vinte e nove.»

«Ah, se fosse novo ia para o estrangeiro!»

Há quem pense um bocado, há quem concorde

Que a saudade acabe em mealheiro.

 

Nem de propósito: o sol arrefece

E o céu faz-se cinzento lá por fora.

Na minha mão, a senha dezassete

Ameaça demorar mais de uma hora.

 

«Senha dez... Senha número dez.» Pois…

Se no íntimo exaspero o passo lento,

Oiço bufar para os meus botões:

«Estou farto, isto é uma perda de tempo!»

 

O segurança dá nas costas deste

Com um dichote acerca do trabalho.

Quem seria aquele desistente?

Olho para o chão: era o 34!

 

Francisco Freima

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