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Zibaldone

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21
Mar17

Dia Mundial da Poesia

Francisco Freima

Não fosse a Rita Palma Nascimento, e hoje nem me lembraria do Dia Mundial da Poesia. Para quem escreve, a efeméride é importante, pois traduz certo reconhecimento por um género literário pouco divulgado. Apesar do lugar-comum que nos aponta como «um país de poetas», poucas são as vezes em que a poesia consegue espaço na agenda cultural, seja porque a música tomou a dianteira, seja porque é vista como algo complicado e completamente desfasado da realidade. 

 

O mundo em que vivemos também não se compadece com lógicas de socialização através da poesia. Raramente vemos um grupo de poetas a lançar um movimento, ou a debater os fundamentos da sua arte. Neste sentido, urge recuperar o papel do artista, cada vez mais à margem da sociedade. Movimentos como o Futurismo seriam hoje inviáveis, pois uma das suas características, a de criar clivagens em torno de uma estética inovadora, rapidamente esvaziar-se-ia pelo grau de alienação da sociedade actual. Quanto ao debate, os poetas têm pouco tempo para pensarem a sua actividade, nomeadamente através da análise das obras de outros autores. Falta pensamento crítico.

 

A própria dinâmica mudou. As pessoas estão mais afastadas umas das outras, e os poetas não constituem excepção. Valha a existência de redes sociais, penso que no futuro serão importantes para a criação dos primeiros movimentos literários digitais. Estes movimentos deixarão de ter uma carga nacional tão vincada, já que todas as pessoas em qualquer parte do mundo poderão participar. Estranha-me o pouco aproveitamento que fazemos da internet. Por exemplo, um movimento que hoje aparecesse poderia lançar a sua revista online, publicar/vender os seus livros na Amazon, divulgar as suas actividades nas redes sociais e reunir-se por Skype. Penso que seria isto que os Eliot e os Pessoas andariam a fazer, caso fossem vivos.

 

A renovação da lírica é igualmente importante. Não adianta escrever em verso livre se depois o texto fica encapelado numa fragmentação de imagens incoerentes. Tem de existir um nexo, por mais ténue que seja, porque os tempos não estão para esses foguetórios. A democratização do ensino criou muitos potenciais leitores, cabe aos poetas seduzirem-nos com a simplicidade da sua mensagem. Uma das lições que aprendi ao escrever, foi a de que não era necessário levar o vocabulário aos limites para expressar qualquer coisa de extraordinário. Neste aspecto, ainda existe um longo caminho a percorrer. 

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