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Zibaldone

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18
Jun16

Dilemas moçambicanos

Francisco Freima

Agostinho do Rosário.jpgComo prometi, nos próximos tempos vou abster-me de futebol e política nacional. Decidido a mudar-me para outras paragens, fui colocar um pouco da minha atenção nos problemas que afectam Moçambique.

 

Desde Abril, o país enfrenta uma crise gravíssima, motivada por alguns empréstimos contraídos durante a presidência de Armando Guebuza. O FMI nunca foi informado destas operações, e só teve conhecimento das mesmas depois de um documento do Ministério das Finanças moçambicano ter sido divulgado. Nele, explicava-se aos investidores da Ematum (empresa com uma dívida superior a 850 milhões de dólares) que a dívida pública moçambicana disparara dos 42%, em 2012, para os actuais 73,4% do PIB. A dívida quase duplicou, ao mesmo tempo que o FMI suspendia a cooperação com Maputo

 

Agora, com o estrangulamento da economia a repercutir-se na vida da população, o actual presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, tem um dilema para resolver: ou apoia algum investimento público (como defende o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário) ou canaliza o dinheiro na totalidade para o pagamento das dívidas. Existe ainda uma terceira opção, que passaria pela denúncia da dívida como sendo ilegítima. Os proponentes defendem que o Estado não tem de pagar dívidas das quais o parlamento não foi informado; os opositores, alertam para os efeitos que tal decisão teria na credibilidade do país. 

 

Não conhecendo muito da situação moçambicana, penso que poderia existir uma quarta alternativa: o pagamento da dívida, tentando renegociar os prazos, e uma auditoria à forma como esse dinheiro foi gasto. O país descansava a comunidade internacional, ao mesmo tempo que satisfazia a ânsia de justiça do povo moçambicano. Claro que esta solução acarretaria consequências políticas imprevisíveis. A FRELIMO, dona e senhora do país desde a independência, teria de se virar contra si própria para mostrar firmeza no seu propósito. Erradicar a corrupção teria de ser a sua prioridade, isto se quisessem salvar o regime. Uns meros paliativos, como propõe Rosário, apenas prolongarão a enfermidade da economia, mantendo a situação periclitante até ao próximo escândalo.

 

Eu, parte desinteressada no assunto, preferiria mil vez uma crise política/financeira épica a uma crise financeira de baixa intensidade durante vários anos. Ao menos o tempo perdido serviria para repensar o sistema político e as reformas necessárias a uma maior fiscalização dos actos de quem governa. Assim, se vingar a teoria de equilibrar o investimento com o pagamento, arriscam-se a não agradarem nem a Gregos nem a Troianos.

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