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Zibaldone

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24
Mar17

Dívidas existenciais

Francisco Freima

As recentes declarações de Mariana Mortágua provaram o que eu já pensava há algum tempo: a esquerda tem de iniciar uma campanha de alfabetização dirigida a alguns pafistas. Parece que afirmações como «Portugal tem o maior saldo primário da Europa» e «o Estado português dá mais lucro do que o alemão» dificultam a compreensão dos simples. Na idade dos porquês, amiúde questionam-se: «Se temos esse lucro, porque é que pagamos tantos impostos?» Ou: «porque é que não baixamos o valor da dívida?»

 

Se pagamos tantos impostos, é porque temos um monstro chamado Dívida, que não permite o alívio da carga fiscal. A esse, podemos somar outros menores, como as PPP negociadas em nome de um futuro tacho no sector privado. Porque não acabamos com elas? Porque o PS está no governo. E no seguinte estará o PSD. E a seguir o PS. E depois novamente o PSD... é uma espécie de cartel, um «ora esmifras tu, ora esmifro eu» onde os barões de fora encenam o choro e depois, arvorados em decisores, começam a trabalhar na sua saída teatral para uma Mota-Engil ou uma TAP privatizada.

 

Sobre a dívida, podíamos baixar o seu valor, não fossem os juros, superiores ao lucro de 2,5% do nosso PIB. Penso que é aqui que os sonsinhos tentam chegar, mas erram bem o alvo. Se Portugal está a financiar-se nos mercados a juros mais elevados do que outros países do Sul da Europa, é porque a percepção do risco por parte dos credores é maior em relação à nossa economia. Terminando aqui, seria o suficiente para que os direitolas esfregassem as mãos de felicidade. Infelizmente para eles, Portugal tem um risco maior porque não é too big to fail (casos da Itália e da Espanha), e porque o BCE não pode deter mais do que 33% da dívida de um estado. Estando a maioria dos outros 67% nas mãos de especuladores, a dívida tem tendência a aumentar. A Grécia, por exemplo, tem juros mais baixos porque ainda se encontra sob resgate.

 

Daí que seja uma parvoíce darem a entender que um governo PàF conseguiria juros mais baixos... a não ser que Passos Coelho convencesse o BCE a dobrar (66%) ou a triplicar (99%) a sua participação na compra de dívida soberana – consta que é muito amigo do Diabo...

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