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Zibaldone

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19
Jul16

Estertor na relva

Francisco Freima

Jardim do Império.JPGA notícia sobre a renovação do Jardim do Império deixou-me apreensivo. Se há pessoa que não me inspira nenhuma confiança, essa pessoa é José Sá Fernandes, o vereador da Estrutura Verde que raramente perde uma ocasião para aparecer. O homem dá má nome à esquerda, pois progresso é uma palavra que desconhece, como se viu no caso do túnel do Marquês. Fico doente só de pensar que o BE apoiou tamanha nulidade, mas espero que esse caso e o de Rui Tavares tenham servido de lição.

 

Agora, querendo dar ares de moderno, vai arrelvar o Jardim do Império, varrendo definitivamente os brasões históricos. O argumento seria a carga colonial associada a esses símbolos, mas entretanto foi refinada ao nível da cretinice, passando a mera omissão nos projectos apresentados. Enfim, só Sá Fernandes para me colocar ao lado da direita na defesa do património histórico lisboeta... aliás, nestas questões costumo ser liberal: considero que os símbolos são neutros na sua essência, logo, não devem pagar pelas infâmias cometidas. A cruz suástica, por exemplo, não surgiu com o nacional-socialismo, já existia antes, nos tempos da Antiguidade Clássica. Diabolizar a imagem resulta tão estúpido como banir o emblema do Benfica caso algum dia surja um maluco a matar em seu nome. 

 

Uns buxos com brasões das antigas colónias não tornam ninguém num torcionário do Estado Novo. Mostram apenas que já tivemos colónias, que é por isso que temos uma Praça do Império e (pasme-se!) um Jardim do Império. Ir contra isso é ir contra a corrente da História, é ser mesquinho, querendo reescrever por linhas tortas o nosso passado. Mas Sá Fernandes já nos habituou a ser uma erva daninha que tenta arvorar-se em incendiário. No fundo, tenho pena dele. Os brasões estão no sangue e nas memórias dos que se bateram por eles, estão nas fotos de inúmeros álbuns de família, estão até na página mais brilhante da história do Belenenses, quando os jogadores celebraram aí o nosso único campeonato, dando três voltas à estátua de Afonso Albuquerque... onde está Sá Fernandes? 

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