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Zibaldone

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15
Fev17

Eu escolho Moscovo

Francisco Freima

Moscovo.jpgIncapaz de um mínimo de coerência, Donald Trump vem agora dizer que a Rússia deve entregar a Crimeia – supostamente, aquele território pertence à Ucrânia... Confesso que também não gostei da forma como Vladimir Putin conduziu o processo de recuperação da Crimeia, mas, vendo o desenrolar da revolução ucraniana, acabou por andar bem. Se fosse o Putin, diria ao Trump que «devolveria» a Crimeia no dia em que os EUA devolvessem o Alasca à Rússia. 

 

Agora está na moda agitar o papão eslavo. Sendo russófilo, para mim é uma alegria aquilo a que Adriano Moreira chama infelicidade (a possível implosão da UE). Depois, acabo sempre a decidir-me por Moscovo quando leio a entrevista de Martins da Cruz ao DN, na qual apresenta Washington ou Bruxelas como possíveis vectores da política externa portuguesa no pós-colapso europeu. Hipóteses estranhas, já que na mesma entrevista o embaixador diz que os EUA já escolheram a Espanha como interlocutora na Península; quanto a Bruxelas... após o fim da UE, o que nos interessam as relações com a Bélgica? 

 

Pese o (muito) caminho que tem a fazer em matéria de direitos humanos, a Rússia é o melhor aliado para Portugal. Enquanto a UE agoniza, o tempo joga a nosso favor, pois os ventos de mudança vão igualmente soprando para os lados do Kremlin. A ameaça representada por Alexei Navalny, e sobretudo a consciência de que Putin não vai durar para sempre, levam a que dentro de alguns anos o regime possa mudar para melhor. E nós cá teremos o porto de águas quentes à espera deles, além da Base das Lajes, que dará imenso jeito na luta pelo domínio geopolítico do Atlântico. Daí que não compreenda o constante diabolizar da Rússia: no futuro, ela poderá muito bem ser o nosso melhor aliado numa Europa dividida, sobretudo se os EUA escolherem a Espanha como parceira preferencial. Voltaremos então aos tempos em que, para salvaguardar a sua independência, Portugal manteve uma duradoura aliança com a Inglaterra. Como a velha Albion não tem o poder de outrora, as únicas soluções seriam Pequim ou Moscovo.

 

Eu escolho Moscovo.

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