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Zibaldone

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16
Nov16

Exército europeu?

Francisco Freima

EU Army Jean Claude Juncker Cartoon.jpgSou contra, as boas razões apontadas pelos defensores desta proposta não me convencem. Como sói dizer-se, de boas intenções está o inferno cheio. 

 

E nem é preciso pedir a Virgílio uma grande volta, na ala leste das profundezas temos um exemplo do perigo representado pelo federalismo armamentista: o JNA (Jugoslovenska Narodna Armija), responsável directo pela morte de milhares de pessoas durante as últimas Guerras dos Balcãs. É certo que para mim a culpa principal nem foi de Slobodan Milosevic, mas antes das potências estrangeiras (nomeadamente a Alemanha) que andaram a fornecer armas às repúblicas separatistas. Só que, estando o exército federal concentrado nas mãos de um nacionalista, a situação piorou. Este é o primeiro perigo: nem sempre há um Josip Broz Tito por perto. Nada nos garante que no futuro teremos outro Juncker a presidir à Comissão Europeia. O contra-argumento da falta de poder da Comissão não me sossega. Hoje é assim, mas quem sabe o dia de amanhã? Projectos federalistas costumam começar com muita democracia e depois vão anulando, uma a uma, as liberdades dos cidadãos. Quando estes se revoltam, vêem que já não têm forças armadas para defenderem a sua independência. 

 

O segundo perigo vem sob a forma do poderio militar como forma de granjear respeito junto da comunidade internacional. Sou igualmente céptico em relação a esse argumento, que considero bastante hipócrita. Então nós passamos o tempo todo a criticar os programas nucleares norte-coreano e iraniano, a Rússia militarizada de Putin, e depois vamos fazer o mesmo? Não sei se já disse, mas é assim que começam os despotismos.

 

Atrelado ao argumento do poderio militar costuma estar associada uma ideia castradora das dissidências nacionais, as grandes qualquer coisa. O que foi a Jugoslávia senão a tentativa de criar a grande nação eslava do sudeste europeu? Ironicamente, esse pan-eslavismo haveria de cair às mãos dos inimigos derrotados nos anos 40. Afinal, não era Milosevic o lídimo herdeiro desses Chetnik que sonhavam com uma Grande Sérvia? Hoje em dia já ouço falar em Grande Europa e temo que no futuro um «Brexit» seja impossível. 

 

Por último, o argumento da coordenação. As forças armadas nacionais mantêm-se, interessa é ter uma task force para responder rapidamente a qualquer problema que surja nas fronteiras comunitárias. Tudo muito bem, o problema é que normalmente começa-se com a remilitarização da Renânia e acaba-se em operações Barbarossa. Quem nos assegura que o sucesso da task force não será o ulterior fracasso dos exércitos nacionais?

 

A União Europeia não necessita de um exército federal, basta coordenar as forças armadas de todos os estados-membros. Este é um daqueles casos em que a união não faz a força. Se quiserem continuar a brincar às legiões romanas, ao menos saiam da OTAN  ninguém respeita wannabe a superpower que se encostam aos norte-americanos.

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