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Zibaldone

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13
Mai16

Facebook

Francisco Freima

Facebook 1984.jpgCausa-me apreensão o papel que o Facebook começa a assumir na vida das pessoas. A informação que a empresa de Mark Zuckerberg guarda sobre os hábitos de milhões de utilizadores pode resultar catastrófica, caso caia nas mãos erradas.

 

Sou suspeito, não gosto de certas intromissões do Estado na vida dos cidadãos. Por exemplo, não gosto que sejamos obrigados a ter um documento de identificação, sobretudo um que contenha a nossa informação mais relevante. Às vezes fico a imaginar uma polícia política que acedesse aos dados reunidos pela máquina estatal. Aliás, as frequentes argoladas dos nossos serviços secretos dão um vislumbre do que seria esse admirável mundo novo: caso o regime caísse, os pseudoespiões cá do burgo iriam passar informações a troco de dinheiro ou lugares apetecíveis na nova ordem. Veja-se o caso da Rússia: quando os comunistas saíram do poder, Boris Iéltsin deixou os oligarcas à solta, o que levou Putin (ex-KGB) a reunir um grupo de antigos espiões para dominar o aparelho estatal, tornando-se imprescindível a Iéltsin.

 

Voltando ao Facebook, imaginem essas informações nas mãos de um poder ditatorial, imaginem que Donald Trump ganhava as eleições nos EUA e tornava-se uma caricatura de Hitler. Qualquer opositor (ou imigrante) com uma conta na rede social seria apanhado, bastava esperar que incorresse numa das suas rotinas. Todos nós temos hábitos e quase todos eles são conhecidos do Facebook – os nossos amigos, os locais onde vamos, o que gostamos de comer, os nossos horários... até informações anódinas, como um gosto na página de uma marca de refrigerantes/perfumes/roupa pode revelar-se determinante na captura de alguém. Eu sei que isto soa a teoria da conspiração (passei parte da minha infância com Fox Mulder lol), mas as bases de dados do Facebook constituem um grande perigo, tanto pelo grau de sistematização das mesmas como pela capacidade que o algoritmo tem de compor o puzzle.

 

Nunca é de mais lembrar que em 1979 a polícia de Frankfurt pediu à companhia de electricidade os dados dos clientes que pagavam em numerário: ficaram com 18 000 moradas. Cruzando essas informações com os dados dos que pagavam em dinheiro outros serviços das agências de aluguer, reduziram essas 18 000 moradas a duas. Uma, era de um traficante de droga; a outra era de quem eles procuravam: um membro da Fracção do Exército Vermelho.

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