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Zibaldone

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29
Dez16

Franchising revolucionário

Francisco Freima

PIVÔ: Bom dia, o directo de hoje é realizado a partir de uma convenção de jovens empreendedores, que conta com a presença de inúmeras empresas portuguesas e estrangeiras. Passo já a palavra à nossa repórter lá em baixo, uma estagiária cujo nome não me recordo. 

 

REPÓRTER: Obrigado, pivô famoso. Estou aqui na banca de um jovem empreendedor que, segundo me disse há pouco, é o CEO da Revolution Demo, não é assim?

 

EMPREENDEDOR: É sim, sou o Ernesto Castro e sou um dos sócios-fundadores da Revolution Demo, juntamente com o conjunto de pessoas simpáticas que está a ver aqui.

 

REPÓRTER: Já agora, pode apresentar os seus partners?

 

ERNESTO: Claro que sim. Aquele a rir-se é o Amílcar Cunhal, o que está a conspirar com ele é o Arnaldo Saraiva de Carvalho e a rapariga simpática a acenar para a câmera é a Sitta Eufémia.

 

REPÓRTER: Falando da Revolution Demo, em que consiste o vosso negócio?

 

ERNESTO: Nós estamos no ramo da exportação de revoluções. Basicamente, consiste em...

 

REPÓRTER: Desculpe interromper, Ernesto, mas a vossa startup não se dedica a revolucionar a forma como as demonstrações de produtos são feitas junto do grande público?

 

ERNESTO: Ah, isso foi o que eu disse para sacar a entrevista. Se tivesse estado na nossa formação sobre TSP perceberia melhor...

 

REPÓRTER: Mas o que é que um workshop em Telecommunications Service Provider tem a ver com...

 

ERNESTO: Não, não. Neste caso, TSP significa Técnicas Subversivas de Propaganda.

 

REPÓRTER: Então qual é o vosso core business?

 

ERNESTO: Nós somos uma empresa de consultoria revolucionária. Oferecemos a nossa experiência e analisamos os riscos e vulnerabilidades inerentes a cada processo revolucionário.

 

REPÓRTER: Qual foi o vosso influencer?

 

ERNESTO: O Passos Coelho, quando disse aos jovens para saírem da sua zona de conforto. Como tinha o objectivo de mudar o mundo, comecei a estudar os processos revolucionários do passado, de forma a aconselhar os revolucionários do presente sobre as melhores medidas para atacarem o poder.

 

REPÓRTER: Já atingiram os vossos main goals?

 

ERNESTO: Nem por isso. Mas como pode ver (retira uma AK-47 de um caixote), armamento não nos falta. (Dispara tiros para o ar) Pavões, empreendedores e curiosos da miséria alheia: toca a cavar daqui!

 

(O público atropela-se, grita, tenta sair o mais rápido possível)

 

REPÓRTER: (olhando para a câmera, com as pernas a tremer e a consciência do furo que lhe poderá valer um lugar na estação) Estamos aqui na banca de Ernesto Castro, o jovem empreendedor que entrevistávamos há pouco e que entretanto lançou o pânico na convenção...

 

ERNESTO: O pânico, não: o Terror. Ao menos não falas Inglês quando estás nervosa. Vá, pega nisso (atira-lhe uma granada para a mão). Puxa a cavilha de segurança, conta até cinco e atira contra a tua estação.

 

REPÓRTER: Mas eu, o con-con...o contrato...

 

(Sitta Eufémia pega numa bazooka e rebenta com metade do pavilhão só para destruir a banca da estação televisiva)

 

ERNESTO: Haja alguém... Bem, o nosso trabalho aqui está feito. Eh, miúda, não te esqueças: TSP, Técnicas Subversivas de Propaganda. Obrigado pelo tempo de antena.

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