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Zibaldone

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04
Nov16

Free Dawit!

Francisco Freima

Free Dawit.jpgNunca é de mais evocar os nomes daqueles que estão presos por respirarem liberdade. Hoje, saúdo Dawit Isaak, jornalista sueco-eritreu detido há quinze anos sem julgamento. O crime deste homem? Ter publicado cartas de opositores políticos que exigiam mais democracia na Eritreia.

 

Uma semana após os atentados do 11 de Setembro, o presidente da Eritreia (Isaias Afewerki) utilizou o pretexto do terrorismo para promulgar leis que visavam coarctar a liberdade de expressão naquele país. No seguimento dessas leis, os jornalistas do Setit começaram a ser perseguidos pelas suas denúncias à corrupção governativa. O fundador do jornal, Fesshaye Yohannes, acabaria por morrer na prisão, sem nunca ter sido julgado. As condições da sua detenção foram tão precárias que ainda hoje ninguém sabe o ano, o mês, o dia ou a hora em que faleceu. Convém lembrar que Yohannes combateu pela independência do país na longa guerra que a Eritreia manteve com a Etiópia (1961-1991). Além de Yohannes, foram presos outros jornalistas do Setit, figurando entre eles Dawit Isaak.

 

Nascido na Eritreia, Dawit partiu para a Suécia em 1987, quando tinha 22 anos. Em 1992, obtém a nacionalidade sueca, rumando ao seu país natal pouco depois da independência. Estabelecendo-se em Asmara, inicia a sua colaboração com o jornal Setit, que logo desperta a atenção das autoridades eritreias. Em 1998, inicia-se a guerra Eritreia-Etiópia (1998-2000), da qual resultarão cerca de 300 000 mortos. Derrotada militarmente, a Eritreia vê o Tribunal Internacional de Justiça dar-lhe razão no diferendo que a opõe à Etiópia. Começa então um período de paz armada que dura até aos dias de hoje, e que proporcionou as condições necessárias para Afewerki consolidar o seu poder.

 

Preso desde 2001, Dawit Isaak é vítima da perseguição do seu país de origem e da incúria daquele que o acolheu. Os sucessivos governos suecos têm sido bastante criticados pela diplomacia de bastidores adoptada. Passados quinze anos, o jornalista continua preso sem ter sido julgado. Para piorar a situação, desde há uns anos circulam rumores de que morreu no cativeiro, rumores entretanto desmentidos pelo governo local. Alvo de inúmeras homenagens na Europa, este mártir da liberdade não vê a mulher e os filhos há quinze anos.

 

Além da opinião pública sueca, sensibilizada para este caso, está na hora de se criar um forte movimento internacional que exija a libertação imediata de Dawit Isaak.

 

Free Dawit!

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