Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

28
Nov16

Fumo de resolução

Francisco Freima

CGD.jpgCom a saída de António Domingues (outro ex-MRPP, o que é que aconteceu na infância destas pessoas?), a situação da Caixa será finalmente discutida por pessoas sensatas. Já agora, fico à espera que o Ministério Público investigue as contas do homem...

 

Não partilho o rasgar de vestes que por aí vai, a indignação de António Lobo Xavier ou de José Gomes Ferreira é a típica conversa da brigada do croquete. A cozinha pode estar a arder, mas o cheiro a esturro nunca chega ao nariz desta gente, sempre de bem com a corrupção. Parece que afinal a catástrofe é do país, porque fica sem um gestor de reconhecidos méritos para gerir o maior banco nacional. Sendo optimista por natureza, não partilho a visão de que existem poucas pessoas à altura do cargo. Se os Portugueses mostrarem os graus de histerismo e insensatez de Lobo Xavier ou Gomes Ferreira, talvez a escolha seja difícil. Se não, o merceeiro ali da esquina serve perfeitamente.

 

Ao contrário do que querem fazer crer, gerir um banco não é nada do outro mundo. Como requisitos, bastariam o ser honesto, fazer contas e algumas perguntas pertinentes, do género: «Porque é que emprestámos 300 milhões ao Joe Berardo se ele ofereceu apenas 60 como garantia?». Não é preciso ser um génio para perceber que fiar cinco vezes mais do que aquilo que o nosso cliente pode pagar é capaz de ser mau negócio. Nenhum taberneiro o faria... Ainda assim, Faria de Oliveira conseguiu a proeza de conceder um empréstimo destes! Em termos de gestão, lembra o visionário Bava, que deixou a PT a arder com os 897 milhões «investidos» em dívida da Rio Forte. No final, recebeu 18,5 milhões do GES pelo trabalhinho (como é que este homem ainda não foi detido??).

 

Enfim, como estava a dizer, qualquer pessoa decente serve para a CGD, desde que saiba fazer contas e ver quais são as actividades rentáveis. Normalmente, é má política sair das áreas de negócio tradicionais da banca – basicamente, emprestar dinheiro/cobrar juros a quem o pediu emprestado, sabendo de antemão que essa pessoa/empresa possui património suficiente para ser esmifrada no longo prazo. Com lucros tão bons na sua actividade, porque perdem os bancos tempo a comprar produtos tóxicos vendidos por intrujões? Parecem aqueles traficantes de droga, que, insatisfeitos com as margens de lucro fabulosas, procuram novos fornecedores e acabam a comprar cocaína de fraca qualidade, sujeita a todo o tipo de misturas, algumas delas verdadeiramente tóxicas. Logo logo, perdem credibilidade na street e ficam com a polícia à perna devido ao súbito aumento de mortes por overdose. Assim são os bancos: metem-se em negócios estranhos, são enganados, perdem credibilidade em Wall Street e rapidamente têm a entidade reguladora a cheirar as contas, após o rasto de falências de empresas a ressacar com a falta de capital. Se fossem menos gananciosos e mais como os camponeses, por natureza desconfiados e avarentos, certamente teriam mais sorte a gerir dinheiro.

 

A CGD tem inúmeras pessoas competentes para o lugar. Procurem o departamento com os melhores resultados nos últimos cinco anos, vejam quem é o chefe e promovam-no. Fica mais barato e ficam bem servidos.

15 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor