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Zibaldone

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13
Ago16

Grande peça!

Francisco Freima

Madrugada de sexta: estava eu na sala de jantar a ver os Jogos Olímpicos e a ler distraidamente, quando reparei que a RTP 1 aproveitara para fazer um intervalo. Mudei de canal e cheguei à RTP 3 a tempo de apanhar o Last Week Tonight (melhor decisão do dia). Pouco depois, começou a reportagem sobre o jornalismo actual, aquilo que no programa do Pacheco Pereira seria considerado «dinamite cerebral».

 

Como sempre, John Oliver foi brilhante. Apresentou um tema complexo de uma forma desempoeirada, focando os principais problemas que a imprensa escrita atravessa: a falta de receitas publicitárias, os conteúdos de entretenimento que estão a substituir o jornalismo de investigação, a abertura ao digital e a consequente obsessão por visualizações, a acumulação de trabalho em redacções com cada vez menos jornalistas, as dificuldades financeiras dos jornais locais, que impede o escrutínio por parte da imprensa aos políticos, o facto das cadeias televisivas alimentarem-se da imprensa escrita para difundirem notícias sem que a esta seja dado o devido crédito... O que mais me chocou foi ver o antigo proprietário do Orlando Sentinel a insultar uma jornalista durante a sua primeira reunião com a redacção. Pior mesmo, só a falta de solidariedade dos colegas que aplaudiram o sujeito.

 

A época de ouro do jornalismo terminou, basta ver as «notícias» mais lidas de cada jornal online, ou sabermos que a maioria das pessoas já só lê «notícias» através das redes sociais. Também não ajuda o facto de a maioria dos jornais estarem nas mãos de grupos económicos com interesses inconfessáveis nesta área, vendendo gato (isenção) por lebre (propaganda). Isso é notório na nossa comunicação social, praticamente toda alinhada com a direita, mas que mantém uma fachada de isenção. Outro problema tem a ver com a qualidade de quem escreve nos jornais. Antigamente, a imprensa conseguia atrair escritores para as suas fileiras, contribuindo estes com peças jornalísticas de grande qualidade (vide a cobertura de Ernest Hemingway da Guerra Civil Espanhola, ao serviço da North American Newspaper Alliance). 

 

Hoje vivemos nas trevas, a ignorância e o obscurantismo alastram, propaladas por modas que tentam desafiar o primado da ciência. Os jornais, ao demitirem-se da sua função informativa, têm contribuído para a proliferação dos alienados que vêem a TVI, lêem o Correio da Manhã e ouvem os «músicos» MTV. 

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