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Zibaldone

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20
Jan17

Heróis nacionais

Francisco Freima

Aristides de Sousa Mendes.jpgNuma das suas últimas crónicas, João Miguel Tavares vem lamentar-se pelo facto de a pátria já não produzir heróis. Segundo JMT, os seus filhos não conseguem «nomear um herói português com menos de 400 anos». Eu percebo o que ele quer dizer, mas discordo quanto a essa pretensa falta de heróis.

 

Ainda no ano passado tivemos Mário Nunes a morrer na Síria, depois de ter levado os últimos tempos da sua vida a combater o Daesh. No século XX, é só escolher: Machado Santos, Aristides de Sousa Mendes, Henrique Galvão, Alpoim Calvão, Humberto Delgado, Catarina Eufémia... já o século XIX apresenta outros além de Mouzinho de Albuquerque: Gomes Freire de Andrade, Manuel Fernandes Tomás, D. Pedro V, António Silva Porto, Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens... ou seja, em meia dúzia de linhas deixei os nomes de quinze heróis políticos ou militares, aos quais junto ainda Salgueiro Maia. Talvez o João seja demasiado esquisito na hora de escolher heróis, mas a verdade é que se anda à procura de nomes consensuais, jamais os encontrará.

 

Um problema dos Portugueses é a incapacidade de olharem para os seus e valorizarem as respectivas virtudes. Exemplificando: eu faço parte do que se convencionou chamar a «extrema-esquerda», mas nem por isso deixo de respeitar Alpoim Calvão. Só uma pessoa tremendamente corajosa e ousada poderia ter arquitectado a «Operação Mar Verde», essa página brilhante da nossa história militar contemporânea. Em face disso, que me interessa se ele era um anti-comunista primário, membro do MDLP, ou que tivesse participado no 11 de Março de 1975? Todos temos falhas, ou aspectos menos susceptíveis de agradarem a outra pessoa, com outras ideias. Havendo um ponto de contacto forte, neste caso o amor à pátria, para quê ser esquisito? É respeitar o homem na sua totalidade, aproveitando o melhor de cada caso.

 

Outro exemplo: se Sousa Mendes não tivesse salvo tantas pessoas durante a II Guerra Mundial, eu não me teria deparado com a sua história enquanto fazia um trabalho sobre o judaísmo, no 9º ano. Ora, foi graças a esse Justo entre as Nações que eu decidi tirar a licenciatura em Relações Internacionais. Um herói é isso: alguém que influencia o presente e o futuro pelo exemplo das suas acções passadas. 

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