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Zibaldone

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22
Ago16

Ignorância olímpica

Francisco Freima

PyeongChang 2018.jpgAlguns palermas costumam aparecer de quatro em quatro anos para criticarem o desempenho dos nossos atletas. A imprensa ajuda à festa, fazendo opiniões públicas sobre o «fracasso» português no Rio de Janeiro... pena é que nunca tenham tempo para debater a crise do jornalismo em Portugal. 

 

Alimentados pela propaganda tremendista, lá surgem os parvos pátrios, certamente familiares dos incendiários que colocam o país a arder no Verão. A coisa passa-se assim: o jornalista sonso coloca uma «notícia» que funciona como chamariz dos trolls. Exemplo: «Preservativos entopem sistema de esgotos da Aldeia Olímpica». Plantada a «notícia», acorrem hordas de vândalos, vikings e visigodos ao local. Antes, porém, fazem uma paragem para ouvir o pregador da Alta Idade Média, o Teodósio das Neves, brilhantemente cunhado por Rui Tavares. Se é normal defender o amadorismo, não é normal apelidar uma pessoa de «monstro» ou de «altamente desequilibrada» só porque discordamos do profissionalismo. Que dizer? É César das Neves, um dos «ideólogos» da direita portuguesa...

 

Feita a paragem e os sacrifícios devidos a Loki, os bárbaros começam a bolçar o hidrofel bebido na véspera. «Foram para lá passear», «divertem-se à conta dos nossos impostos», o clássico «uma vergonha»... seria de esperar que quem assim critica tivesse um palmarés recheado de medalhas. Infelizmente, os detractores dos nossos atletas ainda terão de esperar alguns anos até que o «cuspir para o ar» ou o «de bruços no sofá» sejam modalidades olímpicas. Apenas fico espantado como é que um país com tantos «campeões» anda tão mal classificado nos índices de produtividade, nas médias dos exames nacionais, no abandono escolar, no Índice de Desenvolvimento Humano... 

 

A verdade é esta: sem investimento não há medalhas para ninguém. E o investimento não é só dinheiro. O dinheiro é importante, mas investir tempo e dedicação noutras modalidades é decisivo. Precisamos de prospecção, de pessoas empenhadas na divulgação das modalidades menos conhecidas, de pais informados, de uma mudança de mentalidades. O desporto não vai para a frente enquanto existirem adolescentes com potencial para serem grandes maratonistas, nadadores, basquetebolistas, judocas, mas que preferem seguir a carreira de futebolistas medíocres.

 

No entanto, o que me preocupa mais nem são as modalidades olímpicas de Verão. O pior mesmo é saber que dentro de dois anos começam os Jogos Olímpicos de Inverno (PyeongChang 2018, na Coreia do Sul) e nós continuamos no marasmo, sem pistas de gelo nem formação de treinadores/jogadores de hóquei, curling, esqui, bobsleigh, snowboard, patinagem artística... somos o único país da Europa que não tem uma pista de gelo olímpica. Isso sim, uma vergonha.

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