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Zibaldone

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05
Jun17

Je suis Kathy

Francisco Freima

Kathy Griffin.jpg

E mais seria se ela não se tivesse acobardado tanto. Compreendo que é uma chatice perder o emprego na CNN, mas há alturas na vida em que temos de ser como Hernán Cortés, queimar os barcos e seguir em frente (mesmo que o conquistador nunca o tenha feito).

 

Um tipo de pessoa pelo qual não morro de amores é aquele que nos faz interiorizar uma culpa por algo que não sentimos dessa maneira. Para um artista, esse tipo de gente é particularmente nociva, porque impede a afirmação do seu potencial subversivo. A Kathy Griffin, ao publicar a fotografia de um Trump decepado, limitou-se a fazer o seu trabalho como humorista. As patrulhas do politicamente correcto andam sempre à procura de vítimas com o eterno argumento do «não teve piada». Não teve piada? E depois? Há alguma Lei do Humor que impede de fazer piadas sem piada ou de tirar fotos com uma suposta cabeça decapitada? Dizem que pode ser um incentivo ao assassinato de Donald Trump – como se a hipotética pessoa que empunhasse a pistola ou a espada fosse inimputável... Cada pessoa é responsável pelos seus actos, a Griffin é responsável apenas por ter publicado uma foto que no registo artístico em que se insere vale tanto como se aparecesse a beber água da torneira.

 

Esta minha posição tanto é válida para a Griffin como para os outros artistas. Não é por ser de esquerda e detestar Donald Trump que não apoio também malta de direita. O Rui Sinel de Cordes já tem gozado com o Bloco de Esquerda, mas nem por isso deixa de ser o meu humorista preferido. Lembram-se desta piada sobre o massacre de Orlando?

 

Que este atentado seja uma lição para todos os homossexuais. Quando vos perguntam se vos podem abrir um buraco novo, nem sempre devem responder sim.

 

Caiu tudo em cima dele, o ódio das redes sociais foi tamanho que o Cordes viu-se compelido a abandonar o Facebook. Na altura apodaram-no de homófobo, mas para mim só mostrou como Portugal está cheio de atrasados mentais. Acusar o Rui Sinel de Cordes de homofobia equivale a interpelar na rua um actor que faz o papel de vilão numa telenovela, para lhe dar uns safanões. Infelizmente, nas sociedades ocidentais começam a esbater-se as fronteiras entre as personagens e a realidade, o acriticismo das pessoas leva a interpretações literais de tudo o que se diz ou faz. A ironia está pela hora da morte, o pedregulho será o recurso sem estilo do futuro. Caracterizar-se-á pela acção mais inócua ser susceptível de ferir alguma sensibilidade.

 

No Brasil tivemos o último caso de pedregulho. Uma cantora, uma música banal e um vídeo igual a mil resultaram numa acusação de racismo. A cantora também desculpou-se... espero que surja alguém subversivo, alguém que em vez de pedir desculpas pela ofensa delirada, exija antes um pedido de desculpas dos palermas... alguém tipo Axl Rose:

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