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Zibaldone

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16
Jun17

Marcha LGBT

Francisco Freima

Cartaz marcha LGBT.jpg

Amanhã, em Lisboa, irá realizar-se nova Marcha do Orgulho LGBT. À semelhança dos outros anos, o Bloco de Esquerda estará presente para ajudar o movimento em tudo o que necessitar. Sendo o próprio BE um movimento, é importante que as lutas se interliguem e ajudem mutuamente na consecução dos diferentes objectivos.

 

Na quarta-feira fui à Feira do Livro e depois, como sabia que os camaradas estavam na sede nacional a preparar os materiais para a marcha, decidi descer até à rua da Palma para ir dar algum apoio. Não fiz grande coisa, quem me conhece sabe que não fui propriamente um aluno brilhante a EVT. Pintei umas pancartas, mas penso que o essencial passava mesmo pela solidariedade. Não é por ser heterossexual que não consigo compreender a importância da luta dos gays, lésbicas e transexuais. 

 

Enquanto escrevo, num dos programas da manhã está um padre a explicar porque é que Miguel, sendo homossexual, não pôde ser padrinho de baptismo. Ao que parece, segundo o padre Avelino, se Miguel fosse solteiro não haveria problema, o problema é ele estar casado com um homem. E deu-lhe uma dica: para a próxima, diga que já estão separados! O Miguel, sabiamente, questionou: «Então a Igreja promove a mentira?» O Avelino embatucou. Isto é só um exemplo da discriminação que existe em Portugal contra pessoas que têm uma identidade sexual diferente da maioria. Desde que estou no Bloco, tenho ouvido testemunhos chocantes, seja de homens que por andarem de mãos dadas na rua foram espancados, seja de mulheres a quem os homens (já agora, os homens não têm vergonha de serem invariavelmente os protagonistas destas histórias?) ameaçaram ou violaram. Segundo o delírio destes cavernícolas, o que lhes falta é um violador de Telheiras. E que dizer dos transexuais, pessoas que são arrastadas para uma vida de rejeição e de precariedade só porque tiveram a coragem de assumir a sua identidade? 

 

Temos muito a evoluir ainda. Só deixo esta pergunta aos arquitectos Saraiva e à generalidade dos portugueses: acham mesmo que alguém está disposto a ver a sua vida virada do avesso só porque «pretende ser diferente»? O movimento LGBT não é uma moda, é a realidade. Felizmente, as novas gerações começam a crescer num ambiente bem mais livre de preconceitos, isso dá-me esperança em relação ao futuro. 

 

Amanhã, tal como sucedeu noutros anos, estarei em Lisboa para marchar com os meus amigos e amigas. Tenho muito orgulho neles.

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