Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

25
Out16

Mercado livreiro

Francisco Freima

O Grande Rebanho.jpgConsta que Vaticanum (José Rodrigues dos Santos) lidera as vendas da ficção em Portugal; consta igualmente que Eu e os Políticos (José António Saraiva) está em primeiro no top da não-ficção.

 

Explicada a razão porque Bob Dylan ganhou o Nobel, pergunto: onde andam os editores? Sabem, aquelas pessoas que compram obras de qualidade, que fazem catálogos coerentes e que procuram autores promisores? Eu também não sei, sou demasiado novo para me lembrar de uma era sem Dan Brown, E.L. James ou Nicholas Sparks. Em relação à «mesa nacional», se o melhor que temos são os Zés, estamos tramados. Não sei o que se passa na cabeça dos Portugueses para preferirem de forma consistente (e inconsciente) autores menores em detrimento da qualidade literária. Sobretudo quando existe uma nova geração de escritores talentosos e uma vaga de traduções bastante mais interessantes do que As Cinquenta Sombras de Grey, como é o caso de O Grande Rebanho (Jean Giono). Pese as suas opiniões nas vésperas da II Guerra Mundial, Giono foi um grande escritor e este romance, a par de Le Feu (Henri Barbusse), denunciou a miséria nas trincheiras, a estupidez de uma guerra entre potências europeias que durante 1914-1918 se dedicaram à mútua destruição. Para mim, é um mistério como não consegue figurar nos mais vendidos. 

 

Entretanto, os livreiros de mercearia foram desenterrar a Tarântula de Bob Dylan, conjunto de prosa poética sofrível. Editado em 2007, pela Quasi, deverá espelhar a hipocrisia de um público que durante nove anos não o leu e que hoje estará pronto para tecer loas ao aranhiço. Pessoalmente, preferia que a Assírio & Alvim reeditasse a Antologia Poética de Ian Curtis e dos seus Joy Division. Esse livro, da colecção Rei Lagarto, tem traduções magistrais de Pedro S. Costa e Paulo da Costa Domingos. Como o Ian morreu sem ter sido agraciado com o Nobel, duvido que alguém vá resgatar esse título do esquecimento...

 

As editoras deviam voltar a ser projectos de escritores, enquadradas num ideal estético ou político, sob a chancela de uma revista. Foi assim que se fizeram as grandes casas editoriais (a Gallimard, por exemplo, surgiu da Nouvelle Revue Française). Não faz sentido as editoras ficarem ausentes do debate literário, limitando-se a publicar ao sabor dos gostos ou das modas. A filosofia estética pode ser só a qualidade dos textos, a arte pela arte sem preocupações de ordem política e social. Mas informem os leitores, publicitem, intervenham. Traduzir por traduzir, publicar por publicar, é de uma aridez total. Façam manifestos, não deixem a originalidade na gaveta.

7 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor