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Zibaldone

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12
Abr17

Moralismos de Torremolinos

Francisco Freima

Torremolinos.jpgTenho evitado escrever sobre os episódios de Torremolinos. Primeiro, porque parece haver mais ruído do que factos; segundo, porque é um tema em que puxamos de determinado grupo social (neste caso, os jovens) e partimos logo para a generalização.

 

O primeiro facto estranho é a expulsão de 1000 jovens sob a mesma acusação de vandalismo. Não querendo ironizar, o Camino Real teve o azar de receber todos os arruaceiros das viagens de finalistas, um autêntico El Niños com epicentro naquela estância balnear. Por momentos até pensei que tinham feito 100 clones de cada jogador do Canelas, mas afinal parece que foram meia dúzia de canastrões os protagonistas dos estragos. E que estragos foram esses? Há imagens de um quarto destruído, o resto ficou numa nebulosa de espuma de extintores e sofás dentro de elevadores. A gerência ia realizar uma conferência de imprensa na segunda-feira para expor a situação, só que entretanto preferiu esquecer o assunto. Com os dados disponíveis, o bom-senso leva-me a concluir que é impossível 1000 jovens embarcarem numa onda de destruição e o hotel manter-se ainda de pé. Vivendo em Portugal, o resto é o habitual: pelo comportamento de uns 10 pagam os outros 990. 

 

Sobre a minha experiência em viagens de finalistas não posso falar, porque não fui. Era um cruzeiro pelo Mediterrâneo e os meus pais não tinham dinheiro para isso, tal como a maior parte das famílias dos meus colegas. Resultado: foram uns cinco alunos e o resto ficou na Amora. Se há alguma coisa a retirar deste melancólico exemplo? A ideia de que ninguém morre por não ir à viagem de finalistas, assim como nenhum caloiro morre ao declarar-se anti-praxe na faculdade (duas proezas cometidas por mim em 2006).

 

Voltando a Torremolinos, é uma terra que rima com moralismos. Eu não vou fazer o discurso de que as novas gerações são um caso perdido, que no meu tempo (?) é que era. Já passaram onze anos, mas entre a minha geração e esta não há grandes diferenças. Ou até há: neste caso, dando de caução que o absurdo dos 1000 vândalos aconteceu, seríamos menos anjinhos. Esperaríamos pela última noite e aí sim, levaríamos tudo à frente. 

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