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Zibaldone

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09
Jan17

O ano de todos os perigos

Francisco Freima

2017.jpgComo afirmou Catarina Martins, o próximo ano será o de todos os perigos para Portugal. Existem inúmeras ameaças que podem lançar a economia numa nova espiral recessiva, bastando cumprir-se uma para o campo minado explodir. Nesta equação, a constante é a dívida, à volta da qual gravitam as variáveis CTT, BCE, DBRS, Trump, França e Alemanha.

 

Encaremos o monstro: temos neste momento uma dívida de 224.561 mil milhões de euros, dos quais 47% pertencem aos credores externos (BCE e FMI). Esta dependência dos credores internacionais está a ser lentamente substituída pela exposição do país à sua própria dívida. Neste sentido, o banco CTT tem operado uma discreta transição no perfil dos credores, podendo ser uma táctica insidiosa para depois o Estado declarar um default parcial da dívida na mão dos pequenos aforradores. Apesar de improvável, no desespero de uma crise é sempre possível. Ainda no lado dos credores, em meados deste ano o BCE deverá atingir o limite de 1/3 consignado à posse de dívida soberana de um Estado. Nessa altura, teremos de procurar outras fontes de financiamento, sendo expectável que os juros voltem a subir. Se juntarmos a esta subida, motivada pela retirada do BCE, a provável subida dos juros no início deste ano devido à política económica que Trump pretende adoptar, começamos a ter um vislumbre da possível tempestade. Esta será agravada se a DBRS, a agência de rating que nos mantém presos por arames, lance o pessimismo sobre as previsões de crescimento da economia, face ao cenário internacional. Para ajudar à «festa», as eleições na França e na Alemanha anunciam uma clivagem política entre o Norte e o Sul da Europa. É neste cenário incerto que o Governo terá de executar o orçamento mais ambicioso dos últimos anos, quer pela reposição de rendimentos, quer pelo crescimento esperado. No entanto, qualquer Soros que bata asas no mundo poderá apostar num fracasso neste cantinho.

 

Na frente interna, o acontecimento político do ano são as autárquicas. Falando do meu partido, para o Bloco de Esquerda estas eleições costumam ser difíceis: em 2013, conseguimos 120.982 votos, correspondentes a 2,42% dos votantes. Dos partidos com assento parlamentar, o BE e o PAN são os únicos que não governam nenhuma câmara. Como entrei em Março de 2015, nunca participei numa campanha deste tipo, pelo que será interessante. Para mim, um bom resultado seria conquistar uma autarquia com as nossas próprias forças. Digo isto porque a experiência em Salvaterra de Magos demonstrou que o apoio a independentes tem de ser muito bem ponderado. Basta ler O Príncipe, particularmente o capítulo VII, em que Maquiavel fala «dos novos principados que se adquirem pelas forças alheias e por fortuna», para consolidar a minha opinião neste assunto. No meu concelho (Seixal), o objectivo será retirar a maioria absoluta à CDU. Bastante improvável, mas, lá está: se fosse fácil, eu não estaria no BE.

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