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Zibaldone

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23
Set16

O bom sabor da selva

Francisco Freima

Ali Bongo.jpgOs resultados das eleições presidenciais no Gabão continuam na ordem do dia. O presidente Ali Bongo voltou a vencer de forma fraudulenta o escrutínio contra Jean Ping, líder da oposição. Governado há 51 anos pela dinastia Bongo (42 por Omar e os últimos nove nas mãos do filho Ali), o Gabão é um país rico em petróleo, recurso que facilita a perpetuação dos ditadores africanos no poder.

 

Nas eleições de 27 de Agosto, Ali Bongo teve (supostamente) cerca de 6 000 votos a mais do que Jean Ping. O problema está nas falhas do processo: a votação renhida aconteceu em todo o país, excepto na província de Haute-Ogooue, onde (supostamente) Bongo recebeu 95% dos votos. Mas a história não termina aqui: nessa tal província, registou-se (supostamente) uma afluência às urnas de 99,9% do eleitorado. No entanto, e sendo o bastião de Bongo, a oposição defende que os resultados em Haute-Ogooue foram de 89,17% para Ali, com uma taxa de participação de 81,67% dos eleitores. Estas dúvidas são corroboradas pela delegação de observadores enviados pela União Europeia, chefiada pela búlgara Mariya Gabriel, que apontou anomalias claras nos valores da abstenção e nos votos brancos e nulos.

 

Na sequência desta chapelada, milhares de gaboneses saíram às ruas para protestar. Na capital, Libreville, os tumultos resultaram em cerca de cinquenta a cem mortos, números prontamente desmentidos pelo governo, que operou o milagre da subtracção: Cinquenta? Cem? Três! Ainda assim, os supostos três mortos foram suficientes para o ditador Ali ameaçar Ping com a prisão, caso este não acate o veredicto do «Tribunal Constitucional». Resta saber se Ali vai cumprir a promessa quando o tribunal decidir a seu favor.

 

Antigo homem do regime, Jean Ping tornou-se uma espécie de Humberto Delgado gabonês, ao afrontar o poder político nos últimos anos. Cada vez mais isolado a nível internacional e sem o apoio francês de outros tempos, o presidente Bongo parece condenado à deposição num futuro próximo. 

 

PS: Da pesquisa que fiz, descobri que Omar Bongo, o ditador-pai, foi agraciado em 2001 pelo presidente Jorge Sampaio com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique. É sempre reconfortante saber que o nosso país condecora altos facínoras...

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