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Zibaldone

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25
Abr17

O dia mais longo

Francisco Freima

«Tendo consciência que a guerra era injusta e sem solução, que o regime era opressivo e sem capacidade de reconversão, que as Forças Armadas tinham conseguido o impossível para garantir ao Poder a capacidade de diálogo que ele recusava, só restava a sublevação, mesmo sabendo os riscos que ela acarretava.

 

Considerando ainda que a sublevação só podia e devia ser feita pelas Forças Armadas, estrutura por formação e missão conservadora, a única alternativa à nova ditadura era a promessa, por parte dos "implicados", de que o Poder não seria militar, de modo a garantir o máximo de liberdade e democracia. Assumiram assim o compromisso de não acesso ao Poder, de não existirem promoções ou outros prémios que os aproximassem do Poder, de não actuar em acção política que pudesse ser entendida partidária, etc.

 

Estes compromissos foram integralmente cumpridos até no pormenor de, sendo os "implicados" directos no 25 de Abril cerca de 200, a esmagadora maioria se ter abstido de declarações públicas de modo a não ser considerada interveniente na governação e na acção política.

 

Tendo conhecimento das consequências de acções equivalentes ao 25 de Abril noutros países, tivemos como preocupação manter o máximo de estabilidade na hierarquia militar, de modo a garantir a união das Forças Armadas, não dando razões à hierarquia para se organizar em contra-revolução; por isso, utilizámos o anterior sistema das graduações a título precário, e não as normais promoções, essas sim, utilizadas posteriormente pelos detentores do Poder.

 

Por estes factos, e também porque tenho a noção que qualquer promoção por motivos revolucionários abria o caminho aos ultra-revolucionários e depois destes aos ultra-reaccionários, nunca admiti qualquer promoção ou graduação, até para não criar antecedentes.

 

Tem piada constatar que, depois da nossa luta para repor e conservar a hierarquia, somos marginalizados por ela!

 

É por todos estes factos que esta revolução "nunca passou pela cabeça dos teóricos".

 

Farto de quase 50 anos de opressão,

– farto da incompetência,

– farto de fabricar carne para canhão...

– farto de ajudar meia dúzia de glutões a comer à conta do orçamento,

– farto de "lutar" por causas perdidas,

 

decidi dizer "Basta!"»

 

Fernando Salgueiro Maia, Capitão de Abril: Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril, pp. 85-86; Editorial Notícias

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