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Zibaldone

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25
Abr17

O dia mais longo II

Francisco Freima

25 de Abril mapa.jpg«Tomada a decisão de agir, convoco para o meu quarto na EPC o pessoal necessário ao desencadear da acção. A operação Fim de Regime é planeada, à falta de melhor, sobre o mapa turístico de Lisboa. 

 

Depois do primeiro sinal de rádio com E depois do adeus, começamos a acordar o pessoal, que se convenceu estar perante mais uma instrução nocturna. Reunidos na maior sala que a unidade tinha, ao pessoal que me estava directamente subordinado expliquei que, na vida, há momentos que, pela sua importância, nos transcendem. Assim, perante o estado de negação de liberdade e de injustiça que tínhamos atingido, perante as nulas esperanças em melhores dias, havia que mudar o regime, não para nos substituirmos ao regime anterior, mas para, dando liberdade e democracia, garantir ao povo a escolha do destino colectivo.

 

Para desanuviar, declarei que havia várias modalidades de Estados: os liberais, os sociais-democratas, os socialistas, etc., mas nenhum pior do que o Estado a que chegámos, pelo que urgia acabar com ele.

 

Perguntei se havia alguém que discordasse ou tivesse algo a declarar; todos digeriam o que acabavam de ouvir. Declarei a seguir que as oportunidades de entrar na História só surgiam uma vez na vida, pelo que, quem quisesse vir comigo, tinha de se ir armar e municiar.

 

A adesão do meu pessoal (grupo de instrução do COM e do CSM) foi total, ao ponto de ter de excluir gente, para ficar alguém nas instalações.

 

Formámos antes de sair: éramos 231 homens, constituindo um grupo com um esquadrão de auto-metralhadoras e um esquadrão de atiradores de cavalaria. Nesta força seguiam sete oficiais do quadro permanente, sendo a maioria do pessoal miliciano, em especial instruendos do COM e do CSM.

 

Informei que só havia tiros com ordem minha ou os necessários em resposta a qualquer ataque directo. Para não haver dúvidas, segui na frente da coluna em jipe, isto porque a quase totalidade do pessoal não tinha experiência de combate nem a instrução terminada, o que poderia originar disparos fortuitos e consequente confusão.»

 

Fernando Salgueiro Maia, Capitão de Abril: Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril, pp. 86-87; Editorial Notícias

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