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Zibaldone

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25
Abr17

O dia mais longo III

Francisco Freima

Terreiro do Paço 25 de Abril.jpg«Quando, pelas 3 horas da manhã de 25 de Abril, saímos da EPC, o carro da PIDE e o agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) que costumava estar junto ao mercado municipal tinham desaparecido. Soube depois que avisaram Lisboa, mas, por exemplo, o Comando da PSP não se preocupou, por considerar que devíamos estar a sair para exercícios.

 

Também à entrada do Campo Grande, em Lisboa, ouvi, num dos meus rádios, um carro-patrulha da PSP a informar o respectivo Comando da nossa passagem, bastante impressionado com o número de auto-metralhadoras que via passar.

 

Enquanto ouvia estas informações, o jipe trava de repente e dou comigo parado no sinal vermelho do cruzamento da Cidade Universitária. Olho para o lado e vejo um autocarro da Carris também parado. Achei que era de mais parar a Revolução ao sinal vermelho, quando o que distinguia os carros do MFA era um triângulo vermelho no lado esquerdo das viaturas ou tapando a matrícula. Mando avançar tocando as sirenes das auto-metralhadoras EBR até chegar ao Terreiro do Paço.

 

Ao passarmos na zona do Cinema Mundial, a Polícia de Choque tomava posições para avançar contra o quartel-general, que estava por nós ocupado. Quando nos viram surgir com velocidade e apitando sirenes, os polícias procederam como se tivessem recebido ordens de dispersar, pois cada um foi para o seu lado - e lembrei-me que só faltava começarem a última moda, para dar a entender que não tinham nada contra o MFA.

 

Ao entrarmos no Terreiro do Paço, cada um segue o seu objectivo sem falhas nem atropelos, como tinha sido planeado, e em segundos ficam cercados os ministérios, a divisão da PSP aquartelada no Governo Civil, o Governo Civil, a Câmara Municipal, a Marconi e o Banco de Portugal.

 

No centro da praça ficaram uma Chaimite e uma auto-metralhadora EBR, que constituíam a minha força de intervenção, juntamente com um jipe onde tinha o meu posto de comando com um rádio para ligar com o posto de comando da Pontinha, um rádio para ligar com a EPC e outro rádio para ligar com as minhas forças.»

 

Fernando Salgueiro Maia, Capitão de Abril: Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril, pp. 88-89; Editorial Notícias

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