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Zibaldone

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03
Ago16

O festival dos festivais

Francisco Freima

Foto de Enric Vives-Rubio.jpgA silly season lavra como os incêndios que consomem a floresta e o parque automóvel nacional. No Andanças, arderam 422 carros e outros nove ficaram parcialmente danificados. Indiferente à situação, a organização do festival diz que o mesmo é para continuar. Lógico: as pessoas perdem os carros, ficam soterradas em papelada/telefonemas e depois ainda têm tempo para ir dançar. Lembra-me aqueles argumentos hipócritas das bandas em que um dos elementos morre e depois dizem que vão continuar em sua «homenagem», ou porque «era isso que ele/ela quereria». Já essa conversa lembra-me os homens que seguem à letra os desejos das mulheres e depois ficam surpreendidos por elas ficarem chateadas por eles terem feito aquilo que elas tinham dito... se eu tivesse sido o Layne Staley teria dito ao Jerry Cantrell que não me importaria que ele continuasse a banda depois da minha morte, mas... no fundo, no fundo, o que eu quereria era que ele dissesse: «Não te importas mesmo? Ah, mas não, seria incapaz de fazer isso.» Pelos vistos, o Andanças é, porque o Andanças só se interessa pelo lucro. O parque de estacionamento provou ser inseguro? Não importa, tiveram a sorte de os bombeiros chegarem a tempo para conter um incêndio que, de outra maneira, teria alastrado ao resto do recinto. O Andanças não aparenta ter um plano de segurança? Não interessa, se calhar até tem um, aprovado sabe-se lá como. Parafraseando o vocalista de uma banda que continuou após a morte do seu vocalista (mas que se deu ao respeito e não lançou novos álbuns), the show must go on. Enfim, depois dos lesados dos bancos, os lesados do Andanças?

 

À noite ficámos a saber das andanças de outro festivaleiro, um tal de Fernando Rocha Andrade. Este «ganda maluco» deixou-se corromper patrocinar pela Galp, indo à borla a Lyon e Paris ver os jogos da selecção. Quando confrontado, falou com a naturalidade de um patusco socialista. Como todos sabemos, os socialistas e os sociais-democratas (estes em menor grau) sofrem do síndrome «donos da democracia». Foi hilariante ver o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais justificar o absurdo através do patrocínio da petrolífera à selecção. Por momentos, parecia um «momento Pedro Guerra», só faltou o ilustre governante sacar da sua experiência nos infantis do Damaiense para calar os críticos. Pergunta: o que é que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais tem a ver com a selecção? Em princípio, nada. Vendo melhor, a Galp. Sim, parece que o secretário de Estado tem um dossier no qual a Galp é parte interessada, podendo vir a pagar a módica quantia de cem milhões de euros em impostos. A solução? Pagar umas «futeboladas» a Rocha Andrade. O problema? Felizmente, ainda existem jornalistas em Portugal: a Sábado descobriu a trapaça e o povo indignou-se. O secretário de Estado, habituado a movimentar-se nos corredores corruptos do poder, não vê nenhum problema. Surpreendentemente, Mário Centeno também não. Claro, a gente habitua-se quando vive numa casa que cheira a cão. Pelos vistos, os governantes também se acostumam a viver numa república que cheira a corrupção (e que sabe a bananas...).

 

PS - Sou só eu, ou a foto de Enric Vives-Rubio, que ilustra este post, merece ser premiada?

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