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Zibaldone

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17
Abr17

O homem certo

Francisco Freima

Domingos Paciência.jpgNormalmente sou contra a saída de treinadores, mas o processo que trouxe Quim Machado ao Restelo nunca me convenceu. O que ele fez ao Santa Clara mostrou que não era talhado para o lugar, embora a culpa aqui também seja da SAD.

 

Agora, não há espaço para invenções. A imprensa fala em Jorge Costa ou Domingos Paciência, por isso, a ser um dos dois, eu escolho o Domingos. No futebol as pessoas têm memória curta, mas até há bem pouco tempo o Domingos era um dos treinadores da moda. Foi a partir da ida para o Sporting que a sua carreira começou a perder fulgor, tendo sido mais vítima da sua humildade do que de uma suposta falta de competência. Não sou cego: o homem pôs o Leiria a jogar à bola, fez um bom trabalho na Académica e no Braga lutou pelo título até à última jornada, levando posteriormente os Guerreiros do Minho a uma final da Liga Europa. 

 

O que se passou então? Olho para Domingos e vejo um homem bom. Merecia ter tido sucesso em Alvalade, mas teve azar na altura em que foi lá parar. Ainda nessa época pegou num Deportivo caótico, tentando fazer uma omeleta sem ovos. Olhando hoje para aquele plantel, a descida era o desfecho óbvio. Sobre a passagem pela Turquia não posso falar, porque não acompanhei. Nessa altura parecia um treinador em queda livre, lembro-me apenas que fiquei contente quando foi contratado pelo Vitória . Em Setúbal também não foi feliz, aquela equipa era fraquinha. Em defesa de Domingos, ele deixou os sadinos no 15º lugar e Bruno Ribeiro (o seu substituto) apenas conseguiu subir mais uma posição na tabela. No Chipre, outra passagem para esquecer, pelo que a melhor decisão foi mesmo parar por uns tempos. Para mim, estes fracassos são mais fruto da tal humildade e também da sua coragem. Depois de ter saído do Sporting pela porta pequena, outro qualquer teria ficado à espera da próxima temporada e de um clube estável para recuperar o prestígio perdido. Ora Domingos fez exactamente o contrário: foi para a Corunha tentar a missão impossível, é um grande homem.

 

Desde 2015 sem treinar, está na hora de dar mais uma oportunidade a este treinador talentoso. Se vier para Belém, será a escolha mais feliz dos últimos tempos. Oxalá a direcção da SAD e do clube parem com o clima de guerrilha, porque Domingos vem de más experiências nos últimos clubes por onde passou. A palavra-chave é estabilidade. Mais do que todos os que passaram no banco dos azuis, este treinador precisa de ser acarinhado.

 

O que me faz ter muita fé nele é o facto de a sua história ser a mesma do Belenenses: numa fase menos boa da carreira, um dos melhores treinadores da sua geração entra num dos melhores clubes portugueses, que há anos procura recuperar a glória perdida. São o par perfeito, fosse eu a decidir e fazia-lhe um contrato de cinco anos.

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